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A Ascensão de Thanos

everton 2 de julho de 2015
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Capa da Versão Americana

Capa da Versão Americana

E aí, fãs de comics! Estou de volta para mais uma resenha de quadrinhos que considero relevantes. Em comum com o post anterior, sobre a Graphic MSP do Penadinho, o fantasminha da Turma da Mônica, temos o fato de se tratar de outro quadrinho que fala de morte! E se vocês conhecem o personagem Thanos, sabem que, para ele, esse é um assunto muito sério.

Um fato, antes de mais nada: Thanos é uma cópia Marvel do Darkseid, da DC Comics. Se você ler a história deles, verá que ou são iguais ou muito parecidos em diversos pontos.  Ambos são deuses novos, surgidos das guerras que destruíram os deuses antigos. Os dois são filhos de grandes pais (a rainha Heggra, no caso de Darkseid, e Mentor, no caso de Thanos) e diretamente acima deles estão grandes forças cósmicas (“A Fonte” na DC e “Kronos” na Marvel). Ambos são supremas encarnações do mal; são vilões que manipulam e mexem as cordinhas de seus peões, etc. Enfim, as semelhanças são muitas. Mas existe uma diferença crucial: Thanos tem muito mais visibilidade que Darkseid.

Vez por outra, mesmo que com anos de intervalo, Thanos ressurge em HQs próprias, onde ele quer simplesmente matar tudo o que vive. Raramente vi HQs de Darkseid, excetuando-se aquelas em que ele atua como vilão de alguém. Talvez a DC não queria mexer muito no personagem com medo de estragar sua “aura” de mastermind, seja pelo fato de haver sido criado pelo do grande Jack Kirby, ou por preferirem que Darkseid seja mais manipulador e menos de ação. Já a Marvel sempre aproveita o Thanos, seja como antagonista ou protagonista. E pelo que vi, Thanos é muito mais adepto do mote “do it yourself” do que Darkseid, sendo pessoal e diretamente responsável pelo mal e pelas mortes que causa. Embora seja uma cópia, ele trabalha bem, e sob certos aspectos, até melhor do que Darkseid. Mas falemos da Hq em questão.

2 DarkseidvsThanos. copy copy

Lançada no final de 2014, “A Ascensão de Thanos” foi escrita pelo excelente Jason Aaron (de Escalpo/ Scalped, que saía aqui na extinta Vertigo da editora Panini), e desenhada pelo também excelente Simone Bianchi (X-Men), embora sua arte varie bastante de uma página para a outra. Aaron nos mostra Thanos desde seu nascimento, quando quase foi assassinado pela própria mãe, horrorizada com o que trouxera ao mundo. Sempre protegido por seu pai, o Mentor, Thanos a princípio era só uma criança prodígio num mundo de milagres. E ainda na infância ele encontrou sua paixão… a morte.

A medida que a história passa, vemos o pequeno e frágil Thanos se tornar cada vez mais fascinado pela morte e também cada vez mais cruel. Clichê, é verdade, mas com um bom fundo humano. Jason Aaron mostra um ser que acredita que o que faz é por “amor” e que tenta sempre se convencer de que não é um monstro, mas alguém que ama e estuda a vida como cientista. Passados alguns anos, Thanos parte de Titã, seu mundo natal, e começa a viajar pelo espaço, tentando se afastar dos próprios atos, que ele ainda não compreende e nem mesmo aceita muito bem. Como alguém que busca esquecer uma mulher que o magoou, Thanos abandona seu passado e segue sempre em frente, tentando não pensar nela e descobrir outra coisa que traga algum sentido à sua violenta e conturbada vida.

Ver Thanos agir como qualquer um de nós, desculpando os próprios erros e sempre se vendo como um incompreendido, é uma experiência interessante. Embora pessoalmente eu ache meio tola sua desculpa de “matar por amor”, isso é um metáfora clara para sua psicopatia. A única coisa que Thanos ama é a morte, a matança. E quanto mais ele entende isso, mais cresce para se tornar o flagelo do cosmo que arrasa milhares de mundos e nunca se sente saciado, muito pelo contrário: ele precisa matar mais, sempre mais. Nunca será suficiente… e ele não se vê como culpado. Para Thanos, esse é o preço que deve pagar se quiser ser o amante da Senhora Morte, que ele tem como uma entidade a acompanhar seus passos eternamente, mas sem jamais ser sua de fato. Como um rato correndo numa gaiola em laboratório, Thanos persegue um objetivo que nunca alcançará… quem sabe, numa análise mais profunda, talvez o que ele busca não seja outra coisa senão a sua própria morte, o abraço frio de sua amada.

6 Thanos 07

Enfim, Thanos é um grande vilão, que merece um bom tratamento, e certamente Aaron e Bianchi fizeram um ótimo trabalho com ele. Quem sabe agora que compreende mais seus próprios instintos, Thanos esqueça mais esse lado “amoroso” e se torne o “Darkseid” que ele está a ponto de ser: impiedoso por ser impiedoso, um monstro cujo único objetivo é o poder e a vontade de exercer esse poder. Assim que deve ser o Thanos!

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