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Exterminador do Futuro: Gênesis

sergio 3 de julho de 2015
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oexTerminator-Genisys-Movie-Wal (2)E finalmente chegou aos cinemas o quinto filme da franquia O Exterminador do Futuro, co-intitulado, Gênesis. Para quem acompanhou as últimas tentativas de reproduzir na telona a competência apresentada nos dois primeiros filmes da série (de 1984 e 1991), em especial, no controverso Exterminador do Futuro: A Salvação (2009), percebeu neste novo capítulo da eterna guerra entre homens e máquinas, desde o início, uma das composições mais próximas em termos conceituais, de cenário e roteiro, daqueles responsáveis por tornar este mundo caótico – em que a humanidade é subjugada por um sistema de defesa conhecido como Skynet -, em algo universal para milhões de fãs mundo afora. E, após assistir o filme posso dizer com a certeza de quem desejava de coração ver novamente o clima clássico da franquia no cinema, que ele consegue transmitir isso, de maneira competente e empática, embora com alguns problemas que causam um entrave de ritmo e entendimento, mas que constituem vírgulas mau encaixadas em um panorama maior. Quer saber porquê, confira abaixo:

O cerne, como sempre, é concentrado na guerra entre homens e máquinas. O conflito no futuro, dando destaque à liderança de  John Connor (Jason Clarke), abre as portas desta nova produção, logo após uma breve explicação sobre como a Skynet dominou o sistema de defesa americano e dizimou quase completamente a raça humana; já ai se percebe um retorno memorável ao conceito do filme de 1984, como se apresentando a franquia à uma nova geração. Da mesma forma, o começo do longa segue a premissa básica dos enredos anteriores, ou seja, as máquinas enviam um exterminador para eliminar a raiz de seus problemas no futuro, Sarah Connor (Emilia Clarke), mãe de john, o grande líder da resistência humana. Como no primeiro filme – as referências à ele são muitas ao longo do filme, e sempre emocionantes para quem viu na época, ou um pouco depois -, caberá à Kyle Reese (Jai Courtney), aqui braço direito de Connor, voltar no tempo, impedir o assassino das máquinas e salvar Sarah, permitindo que o futuro não seja alterado. No entanto, o que parecia uma manifestação clara do começo da série, acaba ganhando contornos bem maiores, mais intrincados, e dimensionando a obra à um contexto contemporâneo em termos tecnológicos. Em suma, diria que o filme soube respeitar seu passado, mas adequá-lo ao futuro.

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Imagem de divulgação Paramount

A estrutura não-linear, proporcionada pela viagem no tempo, é algo já clássico da série e não poderia estar ausente nesta nova produção. No entanto, a recorrência delas ao longo da trama acaba por alterar a própria realidade (vide De Volta para o Futuro), criando uma nova visão deste universo cíclico até aqui, surpreendendo fãs antigos, e adequando o roteiro à um contexto novo e embasado em outras produções contemporâneas em termos de tema (A Origem, por exemplo). Falando em adequação, a Skynet é revista, ganhando uma roupagem atual, originalmente um sistema de defesa norte-americano que se rebela e causa uma guerra nuclear, ela ganha uma repaginada e vira um sistema operacional onipresente – de dar calafrios a todos que possuem smartphones e veem TVs, notebooks, relógios e até carros funcionarem com o mesmo programa inteligente. Além disso, existe a inclusão de uma nova tecnologia direcionada aos exterminadores, algo também presente em todos os filmes, e que cria um elo empático nos antigos fãs, e surpreende os novos. No entanto, o grande passo dado pelo filme foi a criação de realidades alternativas, graças às muitas viagens no tempo realizadas ao longo da trama, e antes. Assim, nem o passo, e muito menos o futuro, são os necessariamente os mesmos vistos nas obras anteriores.

Satisfatório perceber que as influências no filme remetem à si mesmo, em cerne, nos dois primeiros longas da série. À todo momento referências diretas são jogadas no enredo, mesclando ótimas cenas de aventura, conceitos de Ficção Científica e questionamentos acerca da própria humanidade, em termos gerais e pessoais; como a relação sentimental de Sarah e John com o Exterminador que volta para lhes proteger. Ainda por cima, as pitadas de humor providenciais demonstram um Arnold Schwarzenegger bem à vontade em sua volta ao papel de T-800, onde está “velho, mas não obsoleto”, segundo ele próprio. Para quem acompanhou os dois primeiros, a meia hora inicial desta produção é uma viagem emocional, e emocionante, ao passado; rapidamente, integrando os contextos envolvidos em uma nova estrada , que abre caminho para possíveis continuações pelos acontecimentos não explicados pelo  roteiro.

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Imagem de divulgação Paramount

Em minha opinião como expectador, e amante dos filmes clássicos da série, Gênesis é bem superior aos dois filmes anteriores da franquia, por manter-se fiel aos elementos que o tornaram o sucesso absoluto que é, e apresentar este cenário de uma forma plena e em sua essência máxima à uma nova geração. Tinha muito receio quanto à atuação de Emilia Clarke como Sarah Connor, afinal Linda Hamiltom pintou com cores fortes, e marcantes, demais a personagem em nossa memória, mas, por fim, ela saiu-se muito bem. Sua atuação em A Guerra dos Tronos já a credenciava ao papel de mulher forte e obstinada, e isso pode ser percebido com êxito nesta produção. Já Jason Clarke (John Connor), foi mais contido, e não se vê aqui uma de suas melhores atuações; enquanto Jai Courtney (Kyle Reese) encena o clássico papel de herói de ação, sem muito talento interpretativo; embora tenha gostado da escolha da escalação de um ator mais desconhecido para o papel. Algo que poderia ser indicado como ponto fraco do filme, é o desenvolvimento confuso da quebra de estrutura do roteiro. As mudanças de realidade são nubladas em alguns momentos pela velocidade dos acontecimentos, e podem passar despercebidos pelo publico comum, que é a imensa maioria da audiência, na verdade. Embora tenha se criado um elo de ligação muito competente entre as realidades, faltou, pra mim, pontos de a explicassem melhor, e  demonstrassem em termos mais claros como isso se deu.

Porém, fico feliz que o filme não tenha sido ruim, pelo menos em minha avaliação pessoal e técnica. Ele entregou aos fãs aquilo que eles poderiam querer em uma nova produção da série, e deu abertura para um futuro promissor à franquia, embora tenha encerrado bem o ciclo dos longas, sendo um final definitivo bastante aceitável para a história.

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