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ZETMAN, o novo mangá da JBC

everton 6 de julho de 2015
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Oi galera, hoje falo a vocês sobre Zetman, de Masakazu Katsura. Quem colecionou Video Girl Ai na década passada conhece a bela arte deste autor, que também é conhecido pelo mangá DNA². Concluída recentemente, a série conta com 20 volumes e começou a sair no Brasil pela editora JBC, a mesma que publicou VGAi. Katsura é famoso por desenhar belas mulheres, e para a alegria dos fãs, isso não mudou.

O primeiro número de Zetman nos apresenta Jin, um garoto que mora numa favela no Japão (!) com um senhor que ele chama de Vovô. Jin quer ajudar o velho, que se chama Gorou, realizando boas ações em troca de dinheiro para colaborar no seu sustento. Em um de seus atos de “heroismo”, Jin conhece uma dançarina de boate chamada Akemi, que acabará se afeiçoando ao garoto como se fosse seu filho. Enquanto isso, homens de uma misteriosa organização vasculham a cidade em busca de um certo garoto e um cientista desaparecidos, ao mesmo tempo que uma onda de crimes bizarros aterroriza a população.

Este número 1 levanta muitas questões e responde pouquíssimas. O que é o projeto Z.E.T.? Quem são realmente Jin e Gorou? Porque o sr. Amagi, que parece ser o dono da misteriosa organização, quer encontrar aqueles que chama de “players“, os poderosos fugitivos desse projeto… e como eles fugiram, pra começo de conversa? Masakazu Katsura e o Studio K2R entregam um trabalho de suspense e ação que nos instiga a querer saber mais.

Falando um pouco sobre a história, é um plot clonado de Black Kamen Rider e afins: rapaz vítima de experiências científicas é ajudado pelo cientista arrependido a escapar da organização maligna, cujos monstros aparecem periodicamente para tentar matá-lo. Nada original até aí, mas esta foi apenas a edição um. Katsura teve mais dezenove volumes pra fazer algo original, ou ao menos um Rider genérico eficiente. A arte, embora bastante boa, não me pareceu melhor que a de VGAi, embora tenha começado a ser publicada quase dez anos depois desta ser encerrada em 1993. video-girl-ai-10-masakazu-katsura Novamente, este ainda é o número um: há muito tempo pra ver a arte melhorar ainda mais. E vale lembrar que os pontos que estou chamando atenção aqui não são deméritos: é sim um bom mangá, mas tem seus problemas como qualquer obra. Um deles talvez seja o uso de vários clichês típicos das HQs japonesas, como um protagonista extremamente inocente (beirando a burrice), uma gostosa para acompanhá-lo em improváveis cenas de banho (recurso que Katsura já utilizou em VGAi), e um mentor que, para variar, prefere esconder do garoto segredos sobre ele que o próprio desconhece, e que lhe dariam muita vantagem e poupariam dor de cabeça se o mentor abrisse a boca. Ah, claro, o mangá tem luta e momentos bastante violentos, bem coisa de seinen – mangás tipo Akira, voltados para um público adulto jovem. Jin enfrenta marginais e monstros, e vê pessoas queridas saírem machucadas de suas lutas.

Agora, pesando prós e contras da versão brasileira. Creio que não sou o único que ficou um pouquinho decepcionado com o material nacional. Zetman não é barato: custa R$ 17,50. Ok, tem 8 páginas coloridas (quatro delas desperdiçadas em índices e títulos luxuosos como fizeram em RG Veda), de um total de 260, em papel Pisa Brite 52g. Sinceramente? Por esse valor eu esperava algo como o Berserk novo da editora Panini, que é offset (creio) e em tamanho maior: Zetman é daquele formato padrão dos mangás (12 x 18cm), pequeno, como eram os meio tankohon que tínhamos antes em bancas. Pôxa, cara, temos aí o Love Hina novo, por exemplo, da mesma JBC, medindo 13 x 20cm, em offset, e também com páginas coloridas, custando R$ 14,50. Também não é barato, mas eu pago com gosto, pela qualidade do material. Seja da edição, seja da história propriamente dita. Zetman tem muita qualidade, mas quando comparo o custo-benefício dele com o de outros mangás em banca atualmente, sinto um “quê” de desvantagem para o comprador. Enfim, se você já conhece e confia no trabalho de Masakazu Katsura, como é o meu caso, pode deixar passar esses pequenos problemas e investir. E se não conhece, a hora é agora. Acredito que, quem ler, vai aprovar.

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