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O E-book é um Meio e não o Fim!

sergio 13 de julho de 2015
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ebook_visual_stageTalvez uma das discussões mais recorrentes no meio literário contemporâneo seja em relação à discussão existente entre leitura por meio físico ou digital. A medida que crescem as vendas de livros em formato e-book, e diferentes plataformas investem na mídia no país – seguindo exemplo de seu mercado guia, o americano -, mais se inflamam os argumentos de ambos os lados sobre uma possível substituição da leitura virtual sobre a real; algo até aceitável se analisarmos o histórico da inclusão de outras tecnologias dentro de determinados contextos. Porém, observando o notável crescimento do número de jovens lendo no Brasil, fato deveras positivo para a leitura e desenvolvimento do país como um todo, e sua natural predisposição ao formato digital como meio de interação social, seria óbvio pensar que ler em plataformas digitais, rapidamente alcançaria certa hegemonia sobre os bons e velhos livros de papel. No entanto, contrariando as perspectivas de alguns setores do mercado, o crescimento na venda, e uso, dos e-books tem aumentado sim, mas de maneira bem mais lenta do que a pretendida por certos membros da área editorial ligado ao livro.

O tema pode parecer simples, e estritamente ligado à fatores comerciais, mas minha análise da questão aponta justamente para um lado contrário; existem diversos aspectos que influenciam nesse caso, e é justamente essa riqueza de itens que favorece o crescimento e recorrência do debate sobre o fato em si. Mas, afinal, o livro digital vai substituir o físico? Isso eu posso responder com bastante propriedade: não. Bom, pelo menos por um bom tempo, talvez nunca! Ademais, neste diálogo nem sempre fácil, decaindo com frequência à discursos puramente passionais dos dois lados, é preciso enxergar a inclusão do meio digital de leitura não como um inimigo do livro de papel, mas sim um importante aliado. A rixa que vem se pregando entre as mídias acaba, por fim, eclipsando informações mais relevantes, e que deveriam ser vistas, e debatidas, com mais propriedade por quem perde tempo profetizando o domínio de uma sobre a outra. Por fim, mais prejudicando o aumento do número de leitores, do que ajudando.

Enquanto a venda de livros digitais cresce a discussão sobre o fim do livro de papel se intensifica

Enquanto a venda de livros digitais cresce a discussão sobre o fim do livro de papel se intensifica

Como citamos no começo do texto, o e-book tem crescido no país, e no mundo, mas vem conquistando espaço de uma forma lenta, gradual, e adequada em muito as brechas editoriais deixadas pelo livro físico, e por sua estrutura responsável. Ora, é inegável que a distribuição, publicação e preço das obras virtuais tem contribuído, e muito, não apenas para o crescimento de autores publicando, leitores tendo acesso ás obras mundo afora, mas também suprindo problema seculares do mercado livreiro, muito dependente de alguns vícios e virtudes, revistos com emergência desde que o digital se implantou como meio viável de consumo leitor. Assim, hoje é infinitamente mais fácil se publicar uma obra, vender, e alcançar leitores nos recônditos mais distantes do planeta, sem sair de casa; uma vantagem evidente e importante, mas que não sentencia com iminente data o fim dos livros físicos, cada vez mais queridos, também, pelos jovens leitores. E mais, essa facilidade de distribuição tem contribuído, e muito, no meio educacional inclusive.

Fora a crescente aceitação do livro digital dentro do sistema de ensino particular – já acima de 40% no Brasil -, os e-books são usados como material didático em comunidades mais afastadas, e que não possuem estrutura de biblioteca nem de transporte, na África. Por exemplo, dados recentes da UNESCO confirmam o fato, enaltecendo que o aumento considerável de meios para a leitura digital, como Kindles e Smartphones, tem ajudado, e muito, no crescimento da leitura em países pobres, como Índia, Nigéria, Gana e Etiópia. Ou seja, somente esse acontecimento – que não é único, acredite -, já credenciaria o formato como algo positivo, agregador, mas que não necessariamente seja um inimigo do livro, como vem-se por vezes pregando, e não capaz de impedir o investimento futuro na leitura física e montagem de acervos reais por estes locais mais isolados.

Vivemos uma época de opções, mas de pouca tolerância

Vivemos uma época de opções, mas de pouca tolerância

Todavia, o que tem chamado atenção em relação ao fato – mais que a notória falta de adequação do mercado ao formato -, é a mentalidade dos leitores sobre o assunto. Ora, parece existir mais que a prevalência de um estudo crítico, ou interpretação ampla sobre o fato, a necessidade sem fundamento de tomar partido sobre um dos lados. Assim: ou se ama o cheiro do livro, a capa, o formato, sua presença como adorno na estante; ou se enaltece a leveza, praticidade, rapidez e eficiência do livro digital; como se um não pudesse ser complementar do outro, filhos homogêneos de um mesmo meio de obtenção de conhecimento. Nossos próprios argumentos pregressos denunciam a existência de argumentos mais relevantes ao debate, e que felizmente vem sendo postos em pauta com sua devida relevância. Entretanto, é uma preocupação clara a quantidade de vezes que o diálogo sobre estes pontos incisivos, sejam relegados à um segundo plano pela rixa infantil entre a leitura entre no papel e/ou PDF, como se o gosto alheio constituísse pecado maior que problemas mais sérios, como o preço ainda alto do formato digital, para ficar em apenas um aspecto.

O gosto pela leitura deve ser respeitado enquanto questões mais relevantes são debatidas sobre o tema

O gosto pela leitura deve ser respeitado enquanto questões mais relevantes são debatidas sobre o tema

Desta forma, acho que o debate nunca deveria ser direcionado á uma possível extinção do livro de papel em detrimento do virtual. Porém, sendo ela relacionada aos benefícios que este novo meio de leitura pode acrescentar ao incentivo dela, como entretenimento, no ensino, e na formação de um país mais sábio e consciente de sua própria condição. Vislumbrando como o tema é debatido em várias ocasiões, não deixo de pensar sobre uma igual falta de preparo de quem dialoga, igualando seus equívoco ao do ainda em adequação mercado editorial digital. Óbvio, a questão é bem mais complexa que isso, mas é sempre bom lembrar que, em uma linha de pensamento coerente e saudável ao avanço da leitura, o e-book é um meio, e não um fim para o modo como se lê, e vivencia o universo encantador dos livros. Que seja justo o diálogo sobre quais os melhores caminhos para a melhoria deste formato em nosso mercado, mas não como um inimigo à ser temido e combatido, e sim como um importante e promissor aliado. Pense nisso.

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