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Entropia Zine

everton 14 de julho de 2015
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6Que fã de quadrinhos nunca quis produzir os seus próprios?

Qualquer um. E qualquer um deles sabe o que é um fanzine. E podem até pensar que não sabem fazer uma “revista de fã”. Mas estão enganados. Todo mundo pode fazer fanzines. Você sabe fazer. Talvez não saiba disso, mas se começar, vai acontecer. E não precisa ser de quadrinhos. Já vi de poesia, de fotos, de música… mas os meus preferidos são de quadrinhos. Tenho diversos, e futuramente devo ter mais ainda. Eu mesmo fiz dois, o Nerd Metal, em 2011 e 2012, e levei para vender ou presentear na Gibiteca de Fortaleza, no Dia do Quadrinho Nacional. De lá pra cá, nunca mais produzi um fanzine, embora vez em quando eu flerte com a ideia.

O Entropia é um dos muitos zines heroicamente editados, escritos, e desenhados pelo meu amigo Ed Pontes. Conheci o Ed via internet há anos, quando eu fazia a primeira HQ que desenhei pra postar na net. Ele já vinha desbravando esses caminhos quando eu nem sabia usar a web direito, e me deu um feedback muito positivo sobre a minha história, chamada “Raymonds”, que pode ser vista no meu blog (http://gil-astro.blogspot.com.br/). Passei então a checar as HQs dele e seus vários blogs, e vi que ele tinha uma coisa que falta a muitos de nós: produtividade. Não é difícil fazer zines, mas também não é moleza. Dá trabalho sim, e a maior prova disso sou eu mesmo, que mostro desenhos na net há séculos, agora trabalho desenhando, e fiz apenas dois míseros fanzines na vida.

O zine que originalmente levava o nome “Entropia” foi realizado de 1999 a 2005 e durou surpreendentes 14 edições. O único outro fanzine que eu lembro que durou tanto foi o da “Santíssima Trindade” do quadrinho de Fortaleza, o Manicomics, do meu professor Daniel Brandão, J. J. Marreiro e Geraldo Borges, que lançaram 37 edições e chegou a ganhar o Prêmio Ângelo Agostini, o “Oscar” da HQ nacional. O Ed, se tivesse mantido o nome “Entropia” em cada zine que participou, talvez tivesse se aproximado dessa marca impressionante. Segundo o próprio, ele sempre teve vontade de voltar a editar zines, só pela curtição de produzir quadrinhos, nem pelo dinheiro que pudesse ganhar (eu nunca ganhei e não insisti). Então, finalmente, ele conseguiu se organizar para fazer isso. O ENTROPIA voltou à vida!

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Encontrei o Ed recentemente e ele me presenteou com o renascido fanzine. O novo Entropia tem uma qualidade muito boa. Capa couchê, papel branquinho, e as histórias impagáveis e textos do autor. Me trouxe bastante nostalgia e algumas divertidas surpresas ler estas pequenas HQs, de em média quatro páginas, que caso se estendessem, iam para a edição seguinte… que sim, saía! Outro fator massa é a identificação com o ambiente. Ver histórias acontecendo em sua própria cidade tem um quê diferente, principalmente se você sabe que se passam aqui simplesmente pelo jeito dos personagens falarem. As edições que recebi foram essas das fotos: a reedição dos três primeiros números, e mais a novíssima edição 15, que data de maio deste ano. Ela tem um gostinho especial, não só por ver o Ed colocando o zine pra andar de novo, mas por trazer uma HQ do “Coelho Puto”, o personagem dele que mais gosto.

A intenção é pegar aquele material cheio de energia dos anos 1990 e 2000 e melhorar não a arte ou as histórias, mas a edição propriamente dita. Os zines originais, ele conta, eram feitos com bastante cola, recortes e “xerox”. Na nova versão, isso não é percebido, ficando o único “senão”, a meu ver, o zine ter um visual de foto-cópias, e não de impressões, que lhe dariam a qualidade que merece – mas talvez isso se deva mesmo ao fator “antiguidade dos originais”, mais do que à qualidade da edição, que reafirmo, está muito boa. Das quatro revistas, três contém editoriais divertidos onde o Ed nos conta os percalços e os porquês de sua produção. Essas seções de contato direto do autor com o leitor também me chamaram atenção, visto que eu mesmo gosto de compartilhar com as pessoas essas informações, e alguns quadrinhos independentes que já li têm esse tipo de coisa, como uma seção de cartas onde o Ed tira as dúvidas que nos surgiram durante a leitura – e nem precisamos escrever um e-mail para ele!

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O número 1 tem 16 páginas com o editorial e duas HQs: “O Bruxo”, personagem do Ed, e “O Noite”, personagem de Daniel Brandão. A HQ do Bruxo é a mais longa: cheguei na terceira edição e ela continua! Então, assim que o Ed tiver prontas as outras edições, vou cobrar dele por me deixar na curiosidade! O número 2 traz, além da continuação dessa HQ, uma chamada “Violência Vermelha”, sobre um assassino contratado, mais o editorial e mesmo número de páginas. O número 3 dá uma encorpada e vem com 24 páginas, trazendo outra HQ do Noite (que continua); o heroi galhofa “War”; a melhor parte da HQ do Bruxo até aqui, e mais uma aventura à bala, num novo capítulo de Violência Vermelha, agora com uma protagonista.

E finalmente o inédito número 15: tem 24 páginas, três histórias e um editorial sobre o passado, o presente e o futuro da revista, pela qual torço muito! Não tem HQ do Bruxo, então creio que ela já se conclua até o 14. Aqui temos os “Clássicos Line Comics” que abrem a revista com a ação divertida do “Capitão Vingador”, onde em quatro páginas o Ed resolve um plot que eu levei 16 numa HQ minha! Gente que tem mão pro roteiro é isso. Depois tem a aventura espacial estrelada pelo personagem “Korac”, com os melhores desenhos, e finalmente, temos “Mundo Escroto”, que faz jus ao nome, numa HQ de 5 páginas com o impagável Coelho Puto! Eu sou fã do Lobo, da DC, mas ele não tem aquele “quê” local que eu falei acima… é muito “gringo”… e o Coelho é… foda, simplesmente. Anos atrás eu fiz um desenho dele com outro personagem nacional, o “Escorpião de Prata”. Ainda quero fazer uma HQ com esse Coelho!

E falando das HQs, deu pra perceber que gosto dos roteiros do Ed Pontes! Acho-os muito espontâneos e criativos… me fez relembrar uma certa veia que eu desconfio que estava perdendo. Quanto aos desenhos, ele sempre diz que não é desenhista, mas é notável a evolução comparando-se o número 15 com os anteriores. Creio que ele usou melhores referências. Os textos são bem estilo “Frank Miller”, com narrativas em primeira pessoa, porém muito mais descontraídas. O que mais posso dizer a não ser parabéns pra esse cara e sua publicação? Quero ler desde já o restante dos Entropia, que ele afirma, tem muito material pra mostrar. E sabendo o quanto ele é produtivo, confio nisso! Por hoje é isso, galera! Um post bem alternativo, com uma coisa completamente fora de qualquer mainstream!

SERVIÇO:
Pra conseguir os zines, contate o autor (edvaniosilvapontes@gmail.com) ou acesse seu blog (http://bueironerd.blogspot.com.br/). Também pode encomendar direto da “Universo Editora de Publicações Independentes”, do Gil Mendes, neste email (universoeditoraindependente@gmail.com) ou neste endereço (http://lordekramus.blogspot.com.br/). Lá tem uma tabela detalhada pra quem quiser encomendar as próprias revistas, também. Até a próxima, pessoal!

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