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latest1989, parece longe agora.

Afinal estamos absortos na era do consumo dos equipamentos de alta-fidelidade, como alguns preferem dizer: “mais real que realidade” um simplista console de 8 bits não parece elencar nenhum outro sentimento mais profundo além de, uma lembrança para alguns, enquanto para uma outra grande parcela um curioso estado de distante conhecimento histórico desncessário (?!) ou um desafetuosa sensação hipster. Uma aventura iniciada em O Gênio do Video Game ( The Wizard ) e que desfecha em Detona Ralph ( Wreck-It Ralph ) e mostra como embutir uma propaganda de uma era em um filme.

E 2012, das obras de ficção científica,  já findou com muitas das promessas cumprindas – em parte ao menos quanto a uma videoconferência quase Jetsonianas – mas ao que parece a ciência da publicidade não evolui tão rápido quanto a industria de uma forma em geral. São pouco os virais que envolvem multimeios para propor um produto e fazer arte, seja ela qual for, sem inserções lavadas e ainda por cima de gosto duvidoso. Vide as telenovelas que suas grotescas inserções comerciais sem um pingo de trato artístico para lidar com o merchant que um dia se limitava apenas aos intervalos comerciais e começaram a poluir a obra feito macacão de pilotos da Formula 1. Os teóricos de plantão podem apontar como sendo essas a única forma de manter o financiamento da produção artística, sinais de uma adaptação natural de mercado…Infelizmente eu não discordo que haja uma adaptação, mas será que já existem outros exemplos já produzidos de propaganda com viés de obra artística com melhores resultados no público sem ofender tanto o senso crítico ? Existe alguma espécie de comum acordo entre os produtores/mentores das empresas que disso vivem a qual estabelece um nível de autismo a TODOS os seus espectadores ?

Um tema que fugiria do escopo deste post, mas fica aqui a dica de um excelente post escrita por Luiz Pacheco no site Prosa Econômica que exemplifica bem na frase: “Em verdade, a propaganda consegue até transformar em mercadoria sentimentos humanos.” isso os bons publicitários e como os ruins não conseguem nem mesmo dar um cara amigável ao produto em um contexto mundano.

Hei então que a motivação deste post se revele: The Wizard, aqui no Brasil levou o nome de “O Gênio do Video Game”, um filme muito ruim de 1989, mas um excelente comercial de video games em 1989. Apesar de parecer um erro gritante de concordância ou redundância textual no fim da frase anterior, imprimi em compleitude a minha opinião, em resumo pelo menos, de como um filme pode materializar o retrato de um determinado período – os anos 80 – em uma propaganda de uma marca sem se tornar antipático ao público.

O filme conta a aventura de dois irmãos ( Corey e Jimmy Woods ) que fogem de casa afim de evitar que o mais novo seja internado em um sanatório por acabar em se envolver em problemas de comportamento dado a apresentação de um grau leve não especificado de autismo ou trama pós-eventos dramáticos na vida do mesmo. Contando em seu elenco com atores de peso para a época como Fred Savage, Cristian Slater e Sam Woods teve um desastroso resultado – apesar das indicações para o Oscar – mas um relativo sucesso afetivo com a geração NES.

Bom, o filme atirou em um alvo e acertou em outro. Se era para ser uma propaganda da Nintendo que na época fundamentou a industria de jogos logo após o crash norte-americano de 83, falhou miseravelmente por que apoiou-se na licença poética e fez, por exemplo, o acessório Nintendo Power Glove realizar ações que não condiziam a sua real funcionalidade, em contrapartida figurou a imagem da infância dos anos 80 quando se compartilhava os interesse entre os arcades e os consoles domésticos. Ainda mais em especial para nós brasileiros que só tínhamos acesso aos lançamentos com significante atraso – lembro-me inclusive de muitos acreditarem que a luva não existia e fora feita apenas para interpretação no filme – isso obviamente por conta que não existia facilidade da importação dos produtos como hoje ou ainda fácil acesso a uma rede de informações como a internet.

Acompanhamos o decorrer da história pelo ponto de vista do personagem Corey Woods ( Fred Savage ) que vive com o pai, Sam Woods interpretado por Beau Bridges, e o irmão mais velho Nick interpretado por Christian Slater, em um clima confuso onde ele não parece aceitar a apatia do do seu pai divorciado mediante as atitudes da mãe de seu irmão Jimmy em interna-lo após diversos desaparecimentos do mesmo que tem a disposição a andar sem rumo para longe de casa, em um estado de silêncio absoluto não comunicando-se diretamente com ninguém. Jimmy apenas manifesta algum apreço pelo meio-irmão Corey. Um quadro não muito longe do retrato de muitas famílias norte-americanas naquela década – acreditem quando muitos historiadores da cultura popular dizem que parte das crianças que cresceram durante esse década foram criados por babás eletrônicas chamadas video-games e a importância da índole positiva de alguns heróis digitais formando caráter enquanto seus pais se dedicavam a crescimento profissionais dividindo o tempo entre políticas de consumo exagerada e cocaína das festinhas de escritório regadas a Paul Anka ou BoDeans.

[ Spoilers de 89 !!! ]

Quando Corey decide tomar seu irmão para uma viagem sem destino certo acaba descobrindo que o Jimmy tem um talento nato para atingir pontuações altíssimas em pouco tempo nos jogos eletrônicos. E por uma questão do destino ( trágico do herói ) eles conhecem a determinada Harley, interpretada por Jenny Lewis, que após o choque de personalidades inicial decide agenciar o talento de Jimmy e convence aos dois segui-la até o campeonato Video Game Armageddon, caso Jimmy vença eles compartilhariam o prêmio principal em dinheiro. Em paralelo uma caçada para encontra-los em duas comitivas: uma com Sam e Nick, outra com uma espécie de caçador de recompensas, Putnam, interpretado por Will Seltzer com direito a galhofadas de sessão tarde.

O filme basicamente envolve a delicada relação de Jimmy com o mundo a sua volta, e todos querendo corrigir a situação afim de coloca-lá nos trilhos novamente. Vê-se um esforço genuíno e/ou subjetivo do roteirista retratar o videogame como a única manifestação exterior de Jimmy, uma interface podemos assim dizer, com o mundo. A formula do ponto A ao ponto B sem grandes reviravoltas.

Mas então, o que tem isso haver com propaganda? É essa A QUESTÃO!

No fundo existe todo a ambientação de uma infância regada a Nintendo Power, com Jimmy aparecendo em diversas cenas jogando clássicos como Double Dragon, Rad Racer, Ninja Gaiden e Teenage Mutant Ninja Turtles para obter pontuações altas e ganhar na competição de games que nessa década não se tratava de multiplayer e sim de comparação dessa pontuação. Mas não foi preciso parar o filme, ou dedicar tempo explicando este jogo ou aquele, era apenas parte do figurino e ambientação! Como bem observou um colunista: “eles não estão nos vendendo esses jogos…nós já o temos antes de sair o filme!”

Assistindo ao filme hoje, me causa nostalgia pois retrata a infância de muitos de nós que corríamos para as bancas à comprar revista especializada em videogames com notícias sobre lançamentos, descrições e matérias sobre o universo que compartilhávamos. Eu não senti meu senso crítico ofendido por estampar a marca da Nintendo, afinal ele retrata exatamente o mercado da época, com leves deslizes de exagero, mas isso é Duro de Matar da própria industria cinematográfica.

Uma coincidência ou não o título a quem gosta de um rock n´roll que leva que tem como título o “Pimball Wizard” de Peter Townshend e gravada por grupo The Who, com uma versão ainda mais teatral da letra perpetrada pelo Elton John no opera rock adaptado para filme em 1975: Tommy. Vale a pena dar uma conferida pelo youtube. Hei a música em questão:

 

Anos Depois…

No ano de 2012 me deparo sem criar muitas expectativas, com o filme Detona Ralph ( Wreck-It Ralph ) nos cinemas. O Trailer já havia me dado as dicas de que eu precisava para levar meu filho que compartilha o mesmo apreço por games que eu. E Superando qualquer expectativa que eu pudesse vir a criar, o cuidado minucioso e diga-se de passagem incluindo a dublagem brasileira merece elogios. Uma linha tênue traçou em minha mente entre The Wizard e Wreck-It Ralph não seria ele também um tributo ao universo compartilhado dos jogadores old schools e os novos? Seria ele uma propaganda da Disney para vender personagens à outras mídias como o fez em Brave, uma excelente animação e doravante um bom jogo ( futuros reviews ) ?

 

A questão é, mesmo que ambos fossem, eles o fazem com uma maior sensibilidade maior cuidado e um apelo artístico de bom gosto. Eu não me importo que o Ralph me venda um desodorante por que ele fede, mas odeio ser tratado como um Jimmy.

O Agora.images

Alguns anos se passaram desde a escrita do artigo acima a qual fiz questão de resgatar do último backup dos antigos servidores do Cyberaeon e repaginá-lo porque está prestes a lançar em Julho, aqui dia 23, o filme Pixels que tem como argumento a invasão e video-games enviada por alguma raça alienígena após receber cápsulas com amostras da nossa cultura do ano 80s.

Até então torcemos para que o filme mantenha a ternura da temática com a qual o Detona Ralph abraçou os games. Você, meu caro companheiro gamer, vai ter de aturar muitos: “Eu joguei muito isso..” – Até mesmo de quem infernalizou a vida dos frenquentadores da seções de arcades de shoppings ou bares-pé-sujos.

 

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