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Dragon Age RPG

sergio 23 de julho de 2015
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dragonageboxSe você acompanha/joga, pelo menos um pouco, o lançamento de games nos últimos anos, certamente já ouviu falar de Dragon Age. Conhecido por sua grande qualidade em termos de jogabilidade, roteiro e cenário, rapidamente tonou-se um dos games de fantasia mais elogiados pelo público e crítica. Pois bem, aproveitando a fama do game da Bioware, a editora americana Green Ronin Publishing (a mesma de Lenda dos Cinco Anéis e Mutantes & Malfeitores) publicou uma versão dele para os jogos de interpretação de mesa, com livros, dados, mapa e tudo mais que nós temos direito. Desenvolvido por Chris Pramas, o jogo foi idealizado para ser lançado em caixas, bem no molde dos antigos cenários de Dungeons & Dragons, cada uma tendo suporte para personagens até determinado nível; a primeira acompanha os players até o quinto. Já tendo as duas primeiras caixas lançadas nos EUA, a Jambô Editora decidiu, ano passado, trazer este jogo fantástico para o Brasil, oferecendo assim uma excelente opção, em fantasia medieval, para quem já estava cansado das especificidades demasiadas do sistema d20.

A escolha pela publicação em formato caixa evidencia a tentativa de entrar com o jogo em lojas de brinquedo, facilitando o acesso de novos jogadores ao RPG. Nesta primeira caixa, temos dois livretos com 64 páginas (um do Jogador e outro do Mestre), um mapa-pôster e 3d6. Ou seja, tudo o que se precisa para jogar somente com o material da caixa. Outro aspecto que facilita o uso do RPG por jogadores iniciantes e a qualidade do texto em relação às explicações sobre do que se tratam dos jogos de interpretação, e como criar aventuras, interpretar e aplicar as regras, e narrar para seus amigos.

Se você nunca ouviu falar sobre o game, ou do RPG, A trama de Dragon Age se passa em Thedas, um mundo vasto, sombrio, e assolado por terrores do passado que insistem em voltar, de tempos em tempos, para desafiar a coragem das raças que vivem no cenário. A primeira caixa, da qual tratamos com mais detalhe aqui, apresenta somente um dos continentes de Thedas, mais precisamente Ferelden. O país mostrado neste set inicial representa muito bem as características do cenário que será apresentado aos jogadores; cruel, traiçoeiro e perigoso ao extremo. Ao contrário de mundos clássicos de fantasia, Thedas, e consequentemente Ferelden, não possuem serem mágicos cavalgando em criaturas sagradas, nem florestas verdejantes e encantadas; o mundo é opressor, e pune quem se vale da ingenuidade para viver. Os elfos são oprimidos e explorados, magos são alvo constante de medo e desconfiança, e ainda existe a ameaça sempre iminente do Flagelo, o grande mal deste mundo, criado pela própria ambição da humanidade. Fora tudo isso, as organizações e desafios apresentados nos games também aparecem aqui, com suas respectivas estatísticas e histórias, Guardiões Cinzentos, O Coro, Templários, Crias das Trevas. etc.

Arte do livro passa bem o clima que será encontrado pelos jogadores.

Arte do livro passa bem o clima que será encontrado pelos jogadores.

Ferelden, a parte do cenário descrita nesta primeira caixa, é uma nação que somente há algum tempo adotou a civilidade. Criado por uma tribo bárbara, os alamarri, o pais cresceu forte, e capaz de desafiar até mesmo a mais poderosa força do mundo, o maligno Imperium Tevinter, que tentou conquistá-lo algumas vezes, sempre sendo rechaçado. No reino, a honra e habilidade em combate são mais valorizadas que o sangue, ou hereditariedade, para provar o valor de um indivíduo. Outra característica interessante á respeito do local, é que ao longo da formação do país, houve uma violenta guerra civil, de onde duas facções de dentro do próprio povo alamarri se rebelaram, declarando sua independência e desaprovação aos líderes da tribo principal; sendo estes os bárbaros Avvars, das Montanhas do Dorso Frio, e os Chasind dos Ermos Korcari.

Dragon Age utiliza o sistema de regras chamado AGE (Adventure Game Engine). O ponto positivo a cerca deste mecanismo, e que ele é de fácil aprendizado para jogadores iniciantes, mas permite uma evolução de regras que fascina os mais experientes. As jogadas basicamente se resumem á uma jogadas de dados, no caso 3d6+uma das 8 Habilidades básicas do personagem, contra um NA (Número Alvo). Caso o resultado iguale ou supere o NA, o teste foi bem sucedido. Claro que existem mais detalhes, mas em resumo é isso. Porém, o que mais chama a atenção no sistema é o chamado Dado do Dragão. Os 3d6 que constituem a jogada básica devem sempre ser compostos por dois da mesma cor, e um diferente (sendo este o famigerado Dado do Dragão). Este dado diferente serve para definir feitos, ou Façanhas como é chamado no jogo, especiais que concedem ações especiais durante o turno do personagem. Para se ganhar estas façanhas, dois dos 3 dados devem dar números iguais, ocorrendo isso, o jogador ganha o número de pontos definidos pelo Dado do Dragão para comprar façanhas – claro que passando no teste, obvio.

Bruxas e demônios são comuns no cenário de campanha.

Bruxas e demônios são comuns no cenário de campanha.

Por exemplo, um Anão da Superfície Guerreiro está atacando um lobo, o jogador rola seus 3d6 e soma com a habilidade Força para superar NA 11. Os dados dão 4, 2, 4 (no Dado do Dragão), somando à Força 3 do personagem, dá 13, superando o Número Alvo. Ocorre que dois dados deram valores iguais (4 e 4), o que concede pontos de Façanha iguais ao número tirado no Dado do Dragão, ou seja, 4 pontos que poderão ser gastos comprando coisas especiais que ajudam no ataque.

Outro ponto positivo em relação ao sistema é a rápida criação de personagem. O jogador deve inicialmente jogar 8 vezes 3d6, que definirão seus valores de habilidade, as características básicas, no caso. Logo após, é escolhido um Histórico, dentre os oferecidos pelo livro. O Histórico define muito do personagem; além da raça, o modo como ele é visto no mundo, e algumas Habilidades ou Talentos que podem ser melhorados ou ganhos. A etapa seguinte é escolher a Classe, dentre as três mostradas no Guia do Jogador (Guerreiro, Mago e Ladino). O personagem é finalizado com a escolha dos Talentos e Equipamento. Tudo muito simples e rápido, definindo bem o personagem, inclusive na história também, já nesta criação inicial.

Elfos em Dragon Age são mais brutais que nos mundos clássicos de fantasia!

Elfos em Dragon Age são mais brutais que nos mundos clássicos de fantasia!

Finalizando este longo post, devo salientar, mais uma vez, que adoro o jogo, e certamente seria minha escolha para introduzir novos jogadores no hobby, ou presentear alguém que deseja jogar RPG, mas não sabe por onde começar. Até mesmo o preço é extremamente chamativo, cerca de 60 dilmas pela primeira caixa – com tudo o que dissemos que vem nela. Porém, tome cuidado se você desenha narrar em Thedas. Rolar um RPG de fantasia sombria exige uma postura diferente, que ambiente os jogadores dentro da proposta do jogo. Uma boa dica é buscar as outras mídias de DA, games e quadrinhos. No Brasil, a Jambô já lançou a segunda caixa (personagens de 6º à 10º nível), um kit do narrador (com escudo e aventura) e o suplemento Sangue em Ferelden (4 aventuras prontas). Assim, o que não falta ao mestre interessado é suporte em relação a material.

Então, convoque seus amigos, desembainhe as espadas, e desafie o Flagelo!

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