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Space Dragon RPG

sergio 29 de julho de 2015
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imagesNão vivemos uma “Era de Ouro” no mercado de RPG nacional, nem longe disso. Para ser mais preciso, a citação faz referência direta aos anos 90, período em que o jogo recebeu muito investimento de grandes editoras, foram organizados eventos enormes exclusivamente dedicados à atividade lúdica, e dezenas de títulos inundavam as prateleiras das livrarias, com novidades chegando à todo momento. Hoje, embora a situação esteja bem distante dessa realidade, ela não chega à ser aterradora quanto propagam alguns, chegando inclusive a sentenciar a morte do RPG! Ocorre que houve mudanças significativas em nosso mercado, algumas boas, outras nem tanto, porém vivemos uma época de alteração e adequação em termos de produção, distribuição, e realização de eventos dedicados ao jogo. Digo isso, pois o título analisado é fruto direto destas mudanças ocorridas no RPG nacional, e que possivelmente não viria à tona se estivéssemos na tão aclamada “Era”, como citamos no começo desse texto.

Uma das mudanças mais significativas do atual cenário foi a descentralização na produção de jogos, passando das mãos de uma, ou duas, grandes editoras, para várias outras de porte pequeno e/ou médio, geralmente administradas pelos próprios jogadores (mais sensíveis às necessidades das mesas, óbvio). Com décadas de implementação no Brasil, o cenário nacional vislumbrou vários jovens que cresceram se divertindo com o “hobby”, agora escrevendo, publicando e divulgando seus próprios títulos, e aquecendo o mercado praticamente abandonado pelas antigas empresas dominantes. Uma destas editoras foi a Redbox, criada pela insatisfação de três jogadores com os rumos do RPG mais jogado do mundo, ela lançou seu retro-clone do sistema d20, Old Dragon, e tornou-se rapidamente uma das referências desta nova fase do RPG no país. O estabelecimento da marca, e crescimento acelerado, possibilitou que os proprietários não apenas expandissem a divulgação de seu produto maior, como investissem em novos produtos, e um deles foi o surpreendente Space Dragon, nosso jogo resenhado de hoje!

Arte da capa já representa bem o clima do jogo!

Arte da capa já representa bem o clima do jogo!

Publicado em 2012 como uma extensão do próprio Old Dragon (este voltado à narrações de teor medieval fantástico), o jogo escrito por Igor Moreno tinha – e ainda tem -, pretensão de trazer para as mesas um clima pouco explorado por outros livros, a Ficção Científica Pulp praticada por uma série de autores ao longo dos anos 40 e 50. Nele, os personagens deveriam ser viajantes espaciais buscando intrépidas expedições, pilotando espaçonaves pelos confins das galáxias, e descobrindo novas raças e itens desconhecidos, ao melhor estilo de séries clássicas como Buck Rogers e Flash Gordon. Assim como seu jogo base, Space Dragon também usa como mecânica básica o sistema d20, porém, relacionado em sua maioria, mais as primeiras edições dele, aplicadas nos ancestrais livros de Dungeons & Dragons. Por isso, percebemos em sua jogabilidade básica a mecânica que exige a jogada de um dado de 20 lados (conhecido pela abreviação d20), mais algum modificador contra uma dificuldade. No caso da obtenção de um número igual ou maior que este valor alvo, o teste é bem sucedido no jogo. Claro que existem especificidades, mas em suma é somente isso em termos de regras.

Sendo uma extensão do próprio Old Dragon, o sistema possui várias similaridades com o adotado pelo primeiro, sendo suas diferenças, porém, as principais definidoras do estilo fluido e pessoal do jogo. Por exemplo, como pertencente ao sistema d20, Space Dragon usa os mesmos atributos básicos, no entanto, com leves alterações que embasam mais pra frente a função das classes de personagem. Assim, além dos tradicionais Força, Destreza e Constituição, temos aqui o Intelecto (que substitui a Inteligência), atributo base para o Mentálico, a Ciência (no lugar da Sabedoria), essencial ao Cientista, e a Comunicação (ao invés de Carisma), recomendada aos Gatunos.  Por falar nisso, as classes citadas constituem três das quatro básicas, oferecidas aos jogadores como opções possíveis no começo da sessão. Fora estas, temos o Homem Espacial, um corajoso explorador perito em combate corpo-a-corpo e em pilotar naves espaciais.

Ficha de personagem padrão do jogo!

Ficha de personagem padrão do jogo!

Coerente ao clima da Ficção Pulp proposta no cenário em questão, não temos em Space Dragon o uso de magia, mas sim de Psionismo, ou seja, do poder da mente sobre a matéria e outros seres. O personagem Mentálico é responsável pela manipulação deste poder, progredindo nele de acordo com que conquista habilidades de maior grandeza relacionada á essa nuance de sua classe. Da mesma forma, não existe uma religião instituída, nem poderes divinos. Um paralelo à isso seria o Cientista, que usa de seu ‘disruptor positrônico’ para desativar robôs hostis às aventuras do grupo, bem parecido com a fé do Clérigo, que afasta mortos-vivos. O Gatuno seria uma representação bem próxima do Ladino medieval, enquanto o Homem Espacial encarna a função do Guerreiro. Em suma, toda a estrutura do jogo respeita à de seu referencial – até mesmo para ser usado em conjunto -, mas sabendo estabelecer sua própria identidade e estilo.

Sub-intitulado “Aventuras Interestelares nas Fronteiras das Galáxias”, o jogo ainda apresenta outras mudanças em relação ao que lhe serve de base, que garante uma imersão ainda maior no universo pulp ali proposto. Ao invés das tradicionais raças encontradas na grande maioria dos jogos d20 (elfo, anão, humano e halfling), aqui temos apenas três espécies, todas humanas por assim dizer. A primeira é o próprio humano, ou Homo Sapiens; seguindo pelo Androide, Homo Machina; e por fim o Mutante, Homo Novus. Enquanto os dois primeiros ganham vantagens de maneira semelhante ao que ocorre em Old Dragon, ou em Dugeons & Dragons, para darmos uma referência mais ampla, em Space Dragon, apenas o Mutante é tratado de forma diferente durante sua criação. Fruto de uma deturpação em sua estrutura básica, este personagem escolhe logo de inicio um Aprimoramento (vantagem) e uma Degeneração (desvantagem), sendo conquistados por uma rolagem de dados aleatória, e possuindo uma gama extensa de possibilidades que o ajudarão, ou não, durante as aventuras.

O clima do jogo pode surpreender até mesmo jogadores mais experientes.

O clima do jogo pode surpreender até mesmo jogadores mais experientes.

O livro básico de Space Dragon ainda traz, além da estatísticas necessárias para a criação e desenvolvimento destes personagens, uma quantidade considerável de informações para ajudar o mestre à ambientar seus jogos no clima pulp, proposto pelo RPG em questão. Foi, felizmente, incluído no livro um sistema para construção de naves espaciais, assim como uma extensa lista de Aparatos Tecnológicos e Feitos Científicos – usados, prioritariamente, pelos Cientistas, e Poderes Mentais, divididos por grandezas de acordo com a intensidade do poder conferido. Ainda em capítulo dedicado ao mestre (jogador que conduz a sessão de jogo), são listados diversas armas e itens que podem ser utilizados por ele, ou oferecidos aos personagens durante as aventuras. Por fim, uma variada lista de criaturas promete facilitar muito a vida de quem irá propor as aventuras ao grupo de exploradores.

Relevante dizer que, embora o clima proposto ao jogo seja o da Ficção Científica Pulp, o sistema comporta aventuras em outros estilos, indo desde o medieval – em que pode ser usado como um suplemento de luxo do próprio Old Dragon -, até o heroico, ao melhor estilo Guardiões da Galáxia (inclusive, ganhou uma adaptação feita pelo autor do jogo). Além disso, o jogo já possui adaptações para uso de Mechas, e armas dos mais variados tipos. Em suma, Space Dragon surgiu para o mercado como uma inovadora opção, em especial, para quem estava saturado por tantos livros ambientados em cenários de fantasia e horror. Embora pequeno (198 páginas), o livro traz informações muito completas para quem deseja rolar campanhas inteiras dentro do estilo, e desbravar os perigosos confins da galáxia.

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