Clive Barker – O Ladrão da Eternidade [2006]

Clive Barker, onde esse nome figura na autoria de algum obra é sinal de atenção para diversos leitores de que ali poderá ter um genuína poesia imagética de uma transgressora e visceral forma de arte. Autor este, responsável por alguns ícones que já permeiam a cultura pop de horror com personagens de obras como Hellraiser e Cabal. Mas o que Barker já deixou claro: não respeita limites, resolveu materializar um desejo antigo, que era escrever um conto juvenil com as limitações naturais que isso carrega, sobre um dos monstros que mais açoita que mais perturba diversos jovens do mundo: o tédio. Mas caso seje de desejo pleno você está convidado à Casa de Férias.
Harvey Swick um adolescente como qualquer outro em que “enclausurado” na limitrofe da idade entre o ínicio da fase adolescente e o fim da infância, lamúria-se do tédio e falta de aventura em uma vida pacata de em uma familia de classe média, não importando de fato onde geograficamente já que esta “besta cinzenta”, o tédio, estende democraticamente seus tentáculos para todas crianças, igualmente.  Dramático como as associações desprorpocionais que só uma mente juvenil – assemelhar-se com os dos insanos – deseja que algo lhes “salve a vida” antes que morra deste mal.
Hei que sem uma explicação formal, em  tons de fada madrinhas dos contos pueris, uma criatura humanóide, um homem por assim dizer, adentra em seu quarto lhes inquerindo se ali de fato é a casa de um garoto chamado Harvey Swick. Seu nome é Rictus e ele tem um proposta irrecusável a Harvey para que lhes salve do fim temido.
É então que a história se desenvolve em capítulos curtos – por opção do próprio autor, como descrito em entrevisas públicadas acerca da obra – e que nos leva a conhecer a Casa de Férias um lugar tranquilo e aparentemente mágico onde todas as estações do ano passam em um único dia. Nos é apresentado também os companheiros de farras de Harvey: Wendell e Lulu – dois rascunhos arquétipo de jovens da idade, no entanto atemporais – assim como os outros psicodélicos seres que ocupam a casa e fazem parte da mesma “ninhada” de Rictus: Jive, Marr e boatos temerários sobre Carna. Além é claro da dócil “governanta” Sra. Griffin.
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Clive, escreve de forma generalista dando os pingos dos “i”s apenas pontuando a psicologia dos seus personagens para quem entendamos seus desejos e medos, não situa-nos na linha do tempo que o personagem pertence, intenencional também como o mesmo descreve no material extra que aconha a revista – parabéns para equipe responsável por essa edição brasileira – mas isso não nos deixa apáticos com os personas, pelo contrário torna-se fácil atribuir-lhes rostos mudanos, humanos, nossos ou conhecidos aos papéis tornando a narrativa mais intimista por indução. Talvez mais trabalhoso para Kris Oprisko em transformar o formato escrito por Barker para o formato da HQ, apesar da experiência anterior de Barker com a mídia, ainda sim um trabalho desafiador sobre esse argumento. Mas Kris também não é nenhum novato, já tendo trabalho entre 95 e 99 na Wildstorm veio fundar também Idea and Design Works e sua famosa e lucrativa subdivisão IDW Publishing responsável pela pública desta obra divida em 3 números lá fora (Clive Barker’s the Thief of Always: Book 1 Clive Barker’s the Thief of Always: Book 2   Clive Barker’s the Thief of Always: Book 3) assim como também trabalhou na  graphic novel Metal Gear Solid Volume 1 . A Abordagem do bizarro de forma direta, sem impacto alucinativos e até com um tom cronista faz o leitor de HQs como Fábulas se sentir em casa.
Quanto a arte gráfica ficou a cargo de Gabriel Hernandez Walta que veio a ter uma longa parceria  com Kris Oprisko em outras obras a frente, teve seu trabalho inicial com as séries Covert Vampiric Operations pela IDW e mais a frente alguns para a Marvel e DC. O Traço de Hernandez é de linhas retas, finas e brinca com proporções além de dar alguns toques ao ambiente de uma certa caricatura – lembra Scottie Young(Oz) porém mais rudimentar. Definitivamente um traço limpo para um geração não Jim Lee porém não tão limpa e chapada como a Disney. As cores pastéis, trabalho da Sulaco Studios, deram um tom excelente ao onírico sóbrio ao invés de cores festivas e chamativas demais – o que não chegaria ser um problema para o leitor mais juvenil, mas agradou em cheio o público adulto também. 6-thiefofalwayso7
Lilian Toshimi, letrista experiente que tem trabalhos com a Martins Fontes e, a Escala encarregada pela versão brasileira fugiu um pouco do tradicional monótono ao empregar diferentes cores aos balões para diferentes personagens não-humanos – recurso bem desenvolvido por algumas HQs da Vertigo – mas não recorreu a tipografia mais bizarras. Um único problema foi a utilização de um letra cursiva e alongadas demais nas caixas narrativas ( não balões ) e as vezes dificultava a leitura quando as cores de fundo estavam em um degradê de pouco contraste com a cor da letra.
O Ladrão da Eternidade é sem dúvida um prato cheio para gostou de mini-séries como: Mansão dos Segredos, Bruxaria e Coraline. Historietas fechadas em uma rapsódias de curto, porém mágico e intensos momentos.

Publicado em: fevereiro de 2006

Editora: Pixel Media
Licenciador: Idw Publishing
Categoria: Edição Especial
Gênero: Suspense
Status: Edição única
Número de páginas: 148
Formato: Americano (17 x 26 cm)
Colorido/Lombada quadrada
Preço de capa: R$ 33,00
História:  Clive Barker
Roteiro: Kris Oprisko
Arte: Gabriel Hernandez Walta
Cores: Sulaco Studios
Design: Robbie Robbins 
Letrista: Lillian Toshimi Mitsunaga 
Tradutor: Sérgio Codespoti 
Editor original: Alex Garner, Chris Ryall 
Publicada originalmente em Clive Barker’s The Thief of Always n° 1/2005 – Idw Publishing, n° 2/2005 – Idw Publishing, n° 3/2005 – Idw Publishing
Engenheiro de software fã de horror, cerveja de trigo, metal e jogos de todos os tipos.