Superman – Entre a Foice e o Martelo

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E aí, pessoal! Falando de Superman e uma HQ dele que figura entre as melhores coisas que li do personagem. Escrita pelo prolífico Mark Millar, “Superman Red Son”, (título original) é uma história bem imaginativa onde o autor nos levar a pensar no que poderia acontecer caso Kal-El, o último sobrevivente do planeta Krypton, caísse na antiga União Soviética, em vez de em solo estadunidense. Ao lado de Stalin, Superman (que mantém esse nome a história inteira, e não é chamado de um equivalente da língua russa, creio eu, para não descaracterizar) se torna a grande esperança e o orgulho da URSS.

7É interessante ver que os mais diversos autores acham que a aparição do Superman no mundo invariavelmente trará junto seus companheiros da Liga da Justiça e seus inimigos clássicos no bolo. Não que isso seja ruim. Comercialmente deve ser muito mais interessante, então o que me pergunto é se isso não seria uma imposição da DC Comics, dona dos personagens. Mas, sendo Millar o cara conhecido por fazer os herois ficarem prontinhos para o cinema, isso não é de estranhar. Mulher Maravilha, Batman e Bizarro estão aqui. E claro que não poderiam faltar Lois Lane e Lex Luthor, sempre improváveis como casal.

Na trama, Stalin quer que Superman se interesse por política e assuma O Partido algum dia, coisa que o heroi reluta em fazer, até o momento em que conclui que a única maneira de tornar o mundo melhor é se ele assumir as rédeas. Isso gera um totalitarismo governado por ele, embora sempre com soluções “diplomáticas” e sem derramamento de sangue. Apesar de bem aplicada, essa ideia não é nova, e até mesmo nos antigos formatinhos mensais da Editora Abril Jovem, o Superman já chegou a ser um ditador do mundo, certamente com boas intenções. E como diz o ditado…

<a href="https://i0.wp company website.com/www.cyberaeon.com.br/wp-content/uploads/2016/03/2.jpg” rel=”attachment wp-att-1774″>2O planeta aos poucos concorda com o modo do Superman, e a maior parte da população se mostra satisfeita em viver sob seu controle, algo que lembra muito o livro 1984, de George Orwell. Nesse cenário, os EUA se reusam a capitular, e dentro de casa o Super tem problemas com o Batman, que repudia seu sistema de governo. Lex Luthor aqui é novamente o genial cientista que tem como objetivo de vida acabar com o Reino do Superman. Interessante lembrar que a proposta original do personagem, antes de ser comprado pela DC (e antes mesmo que ela tivesse esse nome) levava esse título, e era também uma coisa totalitária. Parece-me que os conceitos de Luthor como cientista e talvez até de Brainiac tenham surgido disso.

5Em outra análise, esta HQ também dá boas mostras do funcionamento do poder, seguindo ideias e trilhas apontadas por Maquiavel em seu “O Príncipe”, e outras dos filósofo Nietzsche, que sempre falou sobre o poder, e que antes de qualquer um (que eu saiba) falou a expressão “Super-Homem” (Übermensch), sobre um indivíduo que se colocaria acima dos demais por direito inato, visto que era superior a eles. Nesta história, tanto Kal-El quanto Luthor cabem no termo. Capazes de tudo para provar que estão certos sobre os rumos que o mundo deve tomar, os dois esperam até o último instante para partir para a violência, e as consequências foram bem exploradas na história.

3Dizem que Mark Millar é um bom autor com finais ruins, mas eu gostei da maior parte do que ele decidiu fazer em “Red Son”. Há seus clichês inevitáveis, a América do Norte mais uma vez é a resistência do mundo, o Batman é foda, e não sei como o Superman pode resistir décadas sem mulher, mas enfim, é apenas uma história em quadrinhos, e com a preocupação certa: ser uma boa história. Há bastantes surpresas, e acho que o autor conseguiu dar um final legal a quase todo mundo que sobreviveu (outro ponto bom desta história). Demorei muito para ler, mas valeu a espera. “Entre a Foice e o Martelo” mostra um Superman extremo, porém mais crível que a maioria das coisas que lemos de super-heroi, e sem ser chato. Vale a pena para fãs e não fãs do heroi e do estilo. Confiram e divirtam-se!

 

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