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Da Suméria à cultura pop – O Exorcista de William Peter Blatty

14 de julho de 2018
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O homem de cáqui vagueou pelas ruinas. O Templo de Nabu. O Templo de Ishtar. Sentiu vibrações. Parou no Palácio de Assurbanipal: em seguida, olhou de solslaio uma informe estátua de calcário in situ: asas esboroadas, pés providos de garras, penis turgido, saliente, ereto, e a boca tensa, esticada numa cara feroz. O demônio Pazuzu.
De repente, ele sucumbiu.
Ele sabia.
Fixou a poeira. As sombras aumentavam. Ouviu matilhas de cães selvagens latindo em torno da cidade. O sol começava a desaparecer no horizonte. Baixou as mangas da camisa e as abotoou quando se levantou uma brisa cortante vinda de sudoeste.
Dirigiu-se apressado para Mossul e para o trem, com o coração apertado gélida convicção de que breve teria de enfrentar um velho inimigo.

William Peter Blatty

Desde antes de nossos ancestrais abandonarem as copas de árvores pré-históricas, arriscando as primeiras passadas na longa estrada evolucionária que os conduziria a nós, o animal humano sempre permitiu aninhar-se em sua mente (nutrindo-o das mais variadas formas), o medo do desconhecido.

O que no princípio limitava-se, apenas, ao temor instintivo das feras, doenças e fenômenos climáticos assumiu, com o passar das eras, um caráter metafísico, impregnando-se na construção do juízo de valores a nortear-nos desde a famosa Lucy* até hoje.

É exatamente a transformação do pavor ao oculto, ao inexplicável que deu origem às manifestações religiosas primordiais, onde os velhos deuses nada eram além da representação do vento, sol, chuva, tempestades e fogo (com divindades registradas em todas as narrativas mitológicas e panteões das mais variadas civilizações) até o momento no qual houve o surgimento de novas entidades, seres que representariam o bem (a luz, o dia) e o mal (a escuridão, a noite e tudo que nela se arrasta à espreita dos incautos).

Utilizando-se dessa premissa, William Peter Blatty (jan-1928/jan-2017), constrói a narrativa do romance “The Exorcist” (no Brasil, “O Exorcista”), publicado em 1971 pela editora norte-americana Harper & Row Publishers. Na obra, o autor discorre sobre eventos supostamente baseados em um caso real, modificando nomes e locais no texto romanceado.

Capa de The Exorcist (1971), por Harper & Row

No enredo, Blatty nos apresenta aos dias terríveis nos quais uma entidade mais antiga que as pirâmides do Gizé se apossa do corpo de uma jovem chamada Regan McNeil, atormentando não só a ela, bem como a todos em seu convívio. O martírio de Regan tem início quando Merrin (um padre jesuíta) encontra, numa escavação no norte do Iraque, uma relíquia ligada ao demônio Pazuzu e uma medalha de São José.

O religioso interpreta aquilo e fenômenos subsequentes como os presságios de uma grande batalha entre o sacerdote e um mal já enfrentado por ele décadas antes, no continente africano. Ao mesmo tempo, os sinais de uma presença sobrenatural fazem-se sentir na residência dos McNeil, explicitando a ligação da criança com as visões do ancião.

Os sinais da possessão começam sutis: pequenas alterações no comportamento da menina, sua obsessão por um amigo imaginário (o misterioso Capitão Howdy), disfunções biológicas inexplicáveis (Regan urina-se sem motivo aparente em algumas passagens).

Além da própria entidade em si, a garota precisa lidar com o delicado relacionamento de seus pais após o divórcio e a personalidade de sua mãe (uma famosa atriz hollywoodiana para quem a carreira importa mais do que qualquer coisa), que em muitas situações é sufocante e indolente e, já em outros, amorosa e protetora.

Em alguns momentos, Blatty nos leva a pensar que determinadas atitudes tomadas pela jovem não são efeito da influência demoníaca e, sim, apenas os caprichos de uma criança sequiosa pela atenção de uma mãe ausente e do pai distante. O convívio entre a família e seus criados é explorada pelo autor, utilizando-a como recurso para mostrar ao leitor os efeitos da sombra pairando sobre os espíritos de cada ocupante da casa.

Escrito em meados dos anos 70, o volume retrata sua época com exatidão. Os desavisados poderão sentir algum incômodo ao depararem-se com a cultura do período, pois muito do que hoje é socialmente execrável era, quando “The Exorcist” foi redigido, considerado normal.

Capa da edição comemorativa do 40º aniversário da obra (2011), HarperTorch

Travar contato com obras ambientadas em outros períodos da história, principalmente quando o autor, de fato, vivenciou o contexto do qual fala é uma experiência muito interessante àqueles que não tiveram a oportunidade de pertencer ao tempo no qual a narrativa transcorre. Tais publicações são uma janela ao passado que não devem ser desprezadas.

Quando os episódios de Regan tornam-se recorrentes, bem como seu comportamento tornando-se além de qualquer controle, Chris (a mãe), decide procurar apoio na ciência. A jovem é consultada por médicos das mais diversas especialidades, sem que quaisquer dos tratamentos surta algum resultado.

Assim, Chris McNeil, convencida de que a causa para a enfermidade da filha não é algo capaz de ser debelado através de meios convencionais decide apelar à igreja cristã, e acaba por contatar Damien Karras. Abalado pela recente perda de sua mãe, o sacerdote (e também psiquiatra), trata a jovem como um indivíduo portador de uma desordem mental grave para, após algumas sessões, concluir ser aquele um caso genuíno de possessão demoníaca.

Nesse ponto, Blatty explora o conflito interior de Karras pois o religioso atravessava um período de tribulação e dúvida. A fé abalada de Damien rende boas passagens (tanto em suas divagações, quanto mais adiante, quando ele e Merrin confrontam o mal); os questionamentos do homem em relação a seu deus e à igreja, quanto à verossimilhança de todo o fenômeno; se pessoas que precisavam, apenas, de acompanhamento médico foram tratadas como vetores das forças da escuridão, padecendo sob as garras da negligência e ignorância são levantados.

Capa do “Rituale Romanum”

O clímax da obra é a batalha entre os religiosos e a entidade, na qual ambos são levados ao limite pela manifestação. O demônio tenta, a todo momento, dissuadi-los, tentá-los, convencê-los de que sua luta é em vão e o mundo pertence a ele e sua espécie. Pazuzu trata Merrin como um velho conhecido; a seu companheiro, oferece coisas com as quais Karras só poderia sonhar.

Durante a luta, são recitadas passagens do “Rituale Romanum” (“Ritual Romano”, 1614), livro cujas páginas contém, dentre outros, o único rito de exorcismo sancionado pela igreja católica. Como na maioria das narrativas envolvendo tais criaturas, é evocada a antiguidade, o oculto, o fato dessa classe de ente representar algo nascido com o homem, uma força inata à sua natureza; algo do qual a humanidade jamais poderá libertar-se ou esquecer.

Segue, abaixo, um trecho do exorcismo contido no “Rituale Romanum”. O vaticano recomenda que seu uso deve ser realizado estritamente por exorcistas ordenados/sancionados:

Regna terrae, cantate deo, psállite dómino, tribuite virtutem deo Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica potestas, omnis incursio infernalis adversarii, omnis legio, omnis congregatio et secta diabolica, in nomine et virtute Domini Nostri Jesu + Christi, eradicare et effugare a Dei Ecclesia, ab animabus ad imaginem Dei conditis ac pretioso divini Agni sanguine redemptis + . Non ultra audeas, serpens callidissime, decipere humanum genus, Dei Ecclesiam persequi, ac Dei electos excutere et cribrare sicut triticum + . Imperat tibi Deus altissimus + , cui in magna tua superbia te similem haberi adhuc præsumis; qui omnes homines vult salvos fieri et ad agnitionem veritaris venire. Imperat tibi Deus Pater + ; imperat tibi Deus Filius + ; imperat tibi Deus Spiritus Sanctus + . Imperat tibi majestas Christi, æternum Dei Verbum, caro factum + , qui pro salute generis nostri tua invidia perditi, humiliavit semetipsum facfus hobediens usque ad mortem; qui Ecclesiam suam ædificavit supra firmam petram, et portas inferi adversus eam nunquam esse prævalituras edixit, cum ea ipse permansurus omnibus diebus usque ad consummationem sæculi. Imperat tibi sacramentum Crucis + , omniumque christianæ fidei Mysteriorum virtus +. Imperat tibi excelsa Dei Genitrix Virgo Maria + , quæ superbissimum caput tuum a primo instanti immaculatæ suæ conceptionis in sua humilitate contrivit. Imperat tibi fides sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, et ceterorum Apostolorum + . Imperat tibi Martyrum sanguis, ac pia Sanctorum et Sanctarum omnium intercessio +.

Um fato interessante é de histórias acerca dessa ordem de seres, mesmo os de mitologias além da judaico-cristã (os mais famosos no mundo ocidental e em algumas partes do oriente), encontrar ressonância no imaginário humano. Djins, Onis e toda sorte de entidades manifestaram-se nas mais diversas civilizações.

Há um fascínio macabro por esses indivíduos pois, de forma consciente ou não, a maioria das pessoas tende a creditar eventos ruins e/ou acidentes sem explicação em suas vidas à presença de demônios ou espíritos malignos, remontando a épocas ancestrais, quando uma simples dor de dente, o sarampo ou a demência eram fruto da intervenção do mal.

Pazuzu

Pazuzu era, na mitologia suméria, o rei dos demônios do vento, filho do deus Hanbi. Ele também representava o vento sudoeste, que trazia as tempestades, a estiagem e a fome nas estações secas e as pragas nas estações chuvosas. Apesar de ser considerado um demônio do mal, Pazuzu era invocado em amuletos para lutar contra a deusa maligna Lamashtu, um demônio feminino que se alimentava das crianças recém-nascidas e que acreditava-se ser o responsável por prejudicar a mãe durante o parto.

Pequenos amuletos, retratando a entidade, eram colocados no pescoço de mulheres grávidas a fim de protegê-las do demônio Lamashtu. Tais amuletos eram também colocados na mobília do que Era também invocado como proteção contra doenças trazidas pelo vento, especialmente pelo vento oeste.

No Brasil, “The Exorcist” foi publicado pelas editoras: Nova Fronteira (1972), Abril Cultural (1983), Nova Cultural (1986), Agir (2013 e 2015). Em 1974 foi publicado, também pela Nova Fronteira, “O Exorcista, do Romance ao Filme”, contendo fotos, o roteiro, e diálogos do filme.

Nos quadrinhos, o livro foi homenageado na capa da edição #27 do vol.1 de Justice League of America (DC Comics, 1989) e num mangá de Kazuo Umezu (1974).

Capa de “O Exorcista” (1972), Nova Fronteira

Adaptado para o cinema em 1973, contava com Ellen Burstyn (Chris McNeil), Linda Blair (Regan McNeil), Max von Sydow (Lankester Merrin), and Jason Miller (Damien Karras). Dirigido por William Friedkin, teve o roteiro escrito pelo próprio Blatty e foi lançado em 26 de dezembro do mesmo ano. No Brasil, a película chegou aos cinemas em 11 de novembro do ano seguinte.

A trama segue rumo semelhante ao do livro, narrando os eventos que culminam na luta entre os padres Merrin e Karras com o terrível demônio Pazuzu. Nessa obra, há as clássicas cenas da “aranha-humana” (o demônio contorce o corpo de Regan, de modo que ela caminhe de forma semelhante a um enorme e repulsivo aracnideo) e a do “vômito verde” (gore dos anos 70). Uma curiosidade interessante é a de que “The Exorcist” foi o primeiro filme de terror a ser indicado para o Oscar de Melhor Filme, bem como durante muitos anos, acusado de haver feito uso de mensagens subliminares.

Em 1977, é produzida uma continuação intitulada “The Exorcist II: The Heretic”, na qual nos é apresentada uma Regan quase adulta, quatro anos após os eventos do primeiro filme. Morando numa outra cidade, sem lembrança do que ocorreu em sua antiga residência, a jovem passa a ouvir vozes e ruídos estranhos. Procurando sem sucesso auxílio na medicina ela descobre que o demônio ainda a assombra.

Cartaz do filme “The Exorcist” (1973)

Dirigido por John Boorman, teve roteiro de William Goodhart, chegando aos cinemas norte-americanos em 17 de junho de 1977, foi estrelado por Linda Blair (Regan McNeil), Richard Burton (Philip Lamont), Louise Fletcher (Dra. Gene Tuskin), Max von Sydow (Lankaster Merrin), Kitty Winn (Sharon Spencer), Paul Henreid (O Cardeal) e James Earl Jones (Kokumo; Jones estrelou o filme “Conan, o Bárbaro”, 1982 no papel de Thulsa Doom). Infelizmente, essa continuação não conseguiu o impacto do filme anterior, tornando-se, apenas, um esforço para conseguir renda a partir de uma história consagrada.

Escrito e dirigido pelo autor do best-seller original, “The Exorcist III” (“O Exorcista III”), foi produzido em 1990 e lançado nos EUA em 17 de agosto e, no Brasil, a 26 de novembro do mesmo ano. A película é uma adaptação da obra “Legion” (1983), também de Blatty. O filme deveria ser homônimo ao volume do qual se originou, contudo, o estúdio decidiu utilizar  o título “Exorcista” para conseguir maior apelo comercial.

Seu elenco contava com George C. Scott (Ten. William Kinderman), Jason Miller (O Paciente X / Damien Karras), Ed Flanders (Joseph Dyer) e Brad Dourif (James Venamun). Este último tornou-se famoso com a série de filmes “Child’s Play” (“Brinquedo Assassino”, no Brasil), lançado em 1988, ao ser a voz de Chucky e o intérprete do ladrão Charles Lee Ray.

A trama é ambientada dezessete anos após o caso de Regan McNeil, onde a cidade de Georgetown é palco de assassinatos em série supostamente relacionados a um culto pseudo-religioso. A personagem de George C. Scott é designada para investigar os crimes e, aos poucos, descobre a relação entre os delitos e Vernamon, conhecido como “Assassino dos Gêmeos”, executado no mesmo dia do exorcismo de Regan.

Auxiliado pelo padre Joseph Dyer, velho amigo do Pe. Karras, William Kinderman acredita então que a chave de todo o mistério encontra-se num hospital psiquiátrico onde está internado um paciente sem memória que se assemelha fisicamente ao Pe. Karras, mas cuja mente e comportamento assemelham-se às do assassino Vernamon. Como nas películas anteriores, mais uma vez será necessário recorrer ao exorcismo para erradicar o mal.

Cartaz do filme “The Exorcist III” (1990)

Assim como “O Exorcista II”, não obteve êxito nas bilheterias. Uma curiosidade sobre “O Exorcista III” é de que o mesmo foi indicado ao prêmio Framboesa de Ouro, na categoria de Pior Ator, para George C. Scott.

“Exorcist: The Beginning” (“Exorcista: O Início”), é um prelúdio aos eventos apresentados em “The Exorcist” (1973), narrando o primeiro encontro entre Lankester Merrin e o demônio Pazuzu.

A trama, ambientada em meados dos anos 50, acompanha um jovem Lankester Merrin convidado por um colecionador de antiguidades a participar de uma escavação arqueológica promovida pelo governo inglês na região de Turkana, no Quênia.

Ali, uma igreja cristã bizantina do século V é encontrada em perfeito estado de conservação como se tivesse sido coberta pela areia no dia em que sua construção foi concluída. O padre Merrin, arqueólogo formado em Oxford, é escolhido pelo tal colecionador para encontrar uma relíquia escondida na igreja.

No interior da estrutura, Merrin e Francis encontram objetos cristãos profanados, como esculturas de soldados com as armas voltadas para baixo e um crucifixo com o Cristo também com a cabeça para baixo. Posteriormente, Merrin acaba descobrindo que havia um templo de sacrifícios humanos no local onde a igreja fora erguida e, há 1500 anos, um massacre liderado por um padre, no qual uma série de possessões aconteceram e diversos exorcistas tentaram suprimir o mal, todavia, este ainda permanecia no local.

Tentando aproximar-se da história original, busca explorar o conflito de Merrin com sua fé, valendo-se de momentos onde o pároco vê-se entre abandonar o sacerdócio e viver como um indivíduo comum ou abraçar todas as implicações de uma existência devotada à religião. Assim como os anteriores (excetuando-se a película de 1973), “Exorcist: The Beginning”, fracassa em sua missão.

Cena de “Exorcist: The Beginning”

Dirigido por Renny Harlin e escrito por Alexi Hamley com base na história de William Wisher Jr. e Caleb Carr, contava com Stellan Skarsgård (Lankester Merrin), Izabella Scorupco (Sarah Novak), James D’Arcy (William Francis) e Ben Cross (Semelier). Uma curiosidade sobre o filme é sua indicação ao prêmio Framboesa de Ouro nas categorias Pior Diretor e Pior Remake ou Sequência. O mesmo foi classificado pelo site Rotten Tomatoes como “Um filme de terror sangrento medíocre, nem perto da qualidade do original de 1973”.

Outra curiosidade mais interessante é o fato de “The Beginning” ter um filme-irmão, derivado do mesmo roteiro que foi usado em sua produção. “Dominion: Prequel to the Exorcist” dirigido por Paul Schrader, cujo objetivo é ser (também), um prólogo para “The Exorcist”.

Nessa trama, décadas antes dos acontecimentos em O Exorcista, acompanhamos o jovem padre Lankester Merrin (interpretado novamente por Skarsgard) numa excursão pela África Oriental. Em sua viagem, Merrin dedicou-se à história e arqueologia, bem como à luta para restaurar sua fé abalada. Assombrado por um terrível incidente ocorrido numa pequena aldeia na Holanda ocupada durante a Segunda Guerra Mundial, onde atuou como pároco, o sacerdote mostra-se um homem cheio de dúvida e receio, pois o evento na distante Europa ruíra as fundações de sua moral, fazendo-o questionar a existência de deus, bem como sua própria conduta.

Cena de “Dominion: Prequel to the Exorcist”

Cartaz de “Dominion: Prequel to the Exorcist” (2005)

Reunindo-se a uma equipe de arqueólogos tentando descobrir uma igreja que acreditam ter sido enterrada por séculos, Merrin resiste à ideia do grupo de quanto à presença de forças sobrenaturais no local. Invariavelmente, ocorre o primeiro encontro com Pazuzu, o mesmo demônio de “The Exorcist”“Dominion” havia sido totalmente gravado e, em seguida, arquivado pela Morgan Creek Productions, sob a desculpa de que o mesmo teria o mesmo caminho de seus antecessores. A película foi substituída por uma nova versão com Renny Harlin como diretor (“Exorcist: The Beginning”), utilizando o mesmo enredo e boa parte da filmagem de “Dominion”. Contudo, após o fracasso de bilheteria e crítica obtido pela versão de Harlin, a Morgan Creek passou a quantia deu sinal verde a Paul Schrader permitindo, também, à Warner Bros. lançar a produção de Schrader nos cinemas sob o título “Dominion: Prequel to the Exorcist”, em maio de 2005.

Essa versão que contava com Stellan Skarsgård (Lankester Merrin), Gabriel Mann (Francis), Clara Bellar (Rachel Lesno) e Billy Crawford (Cheche), dentre outros, foi lançada no box “O Exorcista: A Antologia Completa” em outubro de 2006.

Além do cinema, a luta entre Pazuzu e a igreja católica também alcançou o universo das series de TV: em 2016 é lançada pela 20th Century Fox “The Exorcist”. Estrelada por Alfonso Herrera, Ben Daniels e Geena Davis. Vagamente baseada no livro de mesmo nome de William Peter Blatty e no filme de 1973, nos apresenta Tomás Ortega (Alfonso Herrera), um padre progressista, ambicioso e compreensivo, que coordena uma pequena paróquia localizada no subúrbio de Chicago e Marcus Keane (Ben Daniels), um sacerdote que trabalha num dos bairros mais pobres da Cidade do México, sendo completamente obcecado por sua missão religiosa.

Cartaz da série “The Exorcist”, Fox Channel (2016)

Ambos se encontram quando precisam lidar com o caso de possessão demoníaca que aflige a família Rance, integrante da paróquia do padre Tomás. Desesperada com a situação de sua filha Katherine (Brianne Howey), Angela (Geena Davis) procura a ajuda dos sacerdotes. Por maiores que sejam suas diferenças, ambos precisam unir forças para enfrentar o maior desafio de suas vidas. Infelizmente, Marcus e Ortega só conseguiram enfrentar o mal por duas temporadas (a série foi cancelada em 2018), também em uma produção aquém da original.

É indiscutível a influência de “The Exorcist” na cultura pop. Centenas de histórias derivadas do conceito original de Blatty foram escritas e /ou filmadas ao longo das quase cinco décadas desde sua publicação original. Um bom exemplo disso é “Fallen” (no Brasil, “Possuídos”/1998), no qual acompanhamos John Hobbes (Denzel Washington) um policial de conduta exemplar sendo atormentado por uma entidade sobrenatural cujo prazer/objetivo é corromper e explorar todas as almas humanas suscetíveis à sua influência.

Meu primeiro contato com a obra foi, como a maioria dos adolescentes dos distantes anos 80, através do clássico de 1973. Na época, “The Exorcist” e “The Omen” eram o máximo em terror para um garoto entre seus doze e quinze anos. Por anos, as cenas do exorcismo de Regan causaram-me a mais profusa ordem de pesadelos. Pouco depois, pude ler a obra original de Blatty e percebi que o texto era bem mais incomodo e assustador que o filme em si.

Para os mais jovens, tais filmes (principalmente pelos efeitos visuais), estão mais para o terrir ou trash que para o horror em si. Todavia, ler “The Exorcist” ainda é uma experiência, no mínimo, perturbadora. Principalmente se for feito à noite, na penumbra de uma luminária ou um dispositivo de leitura digital…

Trailer de “The Exorcist” (“O Exorcista”, 1973):

Trailer de “The Exorcist II: The Heretic” (“O Exorcista II: O Herege”, 1977):

Trailer de “The Exorcist III” (“O Exorcista III”, 1990):

Trailer de “Exorcist: The Beginning” (“O Exorcista: O Início”, 2004):

Trailer de “Dominion: Prequel to the Exorcist” (“Dominion: Prelúdio para O Exorcista”, 2005):

Trailer de “The Exorcist Tv Series” (“Série de TV O Exorcista”, 2016):

* Fóssil de uma fêmea da espécie Australopithecus afarensis de 3,2 milhões de anos, descoberto em 1974 pelo professor Donald Johanson

Créditos:

Capa da edição #27 de Justice League of America (DC Comics, 1989)

Vídeos: Trailers dos filmes “The Exorcist”, “The Exorcist II: The Heretic”, “The Exorcist III”, “Exorcist: The Beginning” e “Dominion: Prequel to the Exorcist”, distribuídos pela Warner Bros.

Trilha sonora: “The Exorcist Full Theme” (faixa integrante da trilha sonora do filme “The Exorcist”, 1973, por Mike Oldfield).

Capa de de Justice League of America vol.1 #27, (DC Comics 1989), por Kevin Maguire.

Trecho inicial do artigo (William Peter Blatty, “The Exorcist”, 1971), extraído do e-book “O Exorcista – Com imagens do filme”, 2009 (págs. 12 e 13), traduzido por Angelo Menezes.

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