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Um coração puro e esperança são capazes de tornar o mundo um lugar melhor? – A resposta é… SHAZAM!

13 de agosto de 2018
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O indivíduo humano, desde épocas remotas, sempre sonhou ser capaz de dobrar a natureza, catástrofes e outros obstáculos em sua existência; sempre sonhou tornar-se nalgo além de sua condição, uma criatura dotada com poderes e habilidades que o tornariam “o mortal mais poderoso da terra”.

C.C. Beck

Um exemplo crasso desse desejo são os heróis gregos, cujos dons especiais auxiliavam-nos a vencer toda sorte de tribulações a eles impostas pelos (geralmente) caprichos de divindades interessadas em divertir-se às custas do sofrimento humano. Numa escala mais próxima de nossa realidade, a ideia de receber força, intelecto, resistência ou velocidade sobre-humanas enche-nos com a sensação de que, se possuíssemos tais coisas, poderíamos tornar o mundo um lugar bem melhor.

Assim, Bill Parker (Abr/1899 – 1963) e C.C. Beck (Jun/1910 – Nov/1989) imaginaram um campeão da justiça, verdade e protetor dos fracos com poderes capazes de equipará-lo aos maiores heróis da época; seus diferenciais eram a inocência e uma alma de criança algo que, de imediato, conquistou os leitores mais jovens.

Capa de WHIZ Comics #02, por Fawcett Publications (1940)

Sua primeira aparição ocorreu na edição #2 da extinta revista WHIZ Comics (Fawcett Publications, Fevereiro de 1940), durante a “Era de Ouro” dos quadrinhos. A trama apresentou os leitores a Billy Batson, um garoto órfão que, (ao ser escolhido por seu coração puro) falando o nome do antigo mago Shazam, é atingido por um relâmpago mágico e transformado no super-herói adulto Capitão Marvel. O nome SHAZAM era um acrônimo derivado dos seis anciãos imortais que concedem ao Capitão Marvel seus super poderes: Salomão (Sabedoria), Hércules (Força), Atlas (Resistência), Zeus (Poderes Mágicos), Aquiles (Coragem) e Mercúrio (Velocidade; Voo).

Além de trazer o personagem principal, seu alter ego e seu mentor, a primeira aventura do Capitão Marvel na Whiz Comics #2 também mostrou seu arqui-inimigo, o maligno Doctor Sivana, e o trabalho de Batson como locutor na na estação de rádio WHIZ. O Capitão Marvel foi um sucesso instantâneo, com a publicação vendendo mais de 500.000 cópias. Em 1941, ganhou sua própria revista solo, Captain Marvel Adventures, enquanto continuou a aparecer na Whiz Comics, bem como tendo participações periódicas em outras publicações da Fawcett, incluindo a extinta Master Comics.

Origens

Mago Shazam, por Alex Ross

Quando os pais do jovem William (Billy) Joseph Batson foram mortos por seu traiçoeiro assistente Theo Adam  (que foi revelado ser o antigo vilão Teth-Adam; mais conhecido como o nefasto Adão Negro), ele foi separado de sua irmã Mary e enviado para viver com um tio. Infelizmente, o ganancioso parente logo expulsou Billy e roubou sua herança. Vivendo nas ruas, o garoto sobreviveu vendendo jornais e trabalhando na rádio WHIZ até, um dia, ser abordado por um estranho homem encapuzado que o conduziu a uma parte do metrô a qual ele nunca tinha visto antes.

Um trem maravilhoso os esperava, coberto de hieróglifos e runas. Billy e o misterioso personagem embarcaram, seguindo às entranhas da Terra; ao fim da viagem, a composição para em uma caverna cujo interior abrigava estátuas dos Sete Inimigos Mortais do Homem (uma clara representação dos Sete Pecados Capitais: Orgulho, Inveja, Ganância, Ira, Preguiça, Gula, às vezes representada como Egoísmo e Luxúria, em algumas ocasiões mostrada como Injustiça). Lá, Billy conheceu o mago Shazam, que havia protegido a humanidade dos Sete Inimigos Mortais por milhares de anos. O mago observara Billy enquanto ele lidava com as provações e dificuldades de sua jovem vida.

Sete Inimigos Mortais do Homem, por Jerry Ordway

O idoso ficou impressionado com o incríveis altruísmo e otimismo de Billy. Dessa forma, determinou ser ele o recipiente digno e apropriado do poder dos Anciões. Assim, o menino foi escolhido para se tornar o mais novo campeão de Shazam e receber poderes oriundos aos seis anciãos imortais: Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio sempre que ele falava o nome do mago (SHAZAM!) Em voz alta.

Um inimigo pior que Dr. Sivana e Adão Negro juntos: a burocracia

Fred MacMurray

Percebendo o sucesso do Super-Homem na National Comics (precursora da DC Comics), a Fawcett Publications decidiu publicar suas próprias histórias em quadrinhos. Em 1939, o artista C.C. Beck e o escritor Bill Parker criaram o “Capitão Trovão” e o publicaram na revista Flash Comics #1 (também conhecida como Thrill Comics). Devido a preocupações com marcas registradas, Flash Comics foi renomeada para Whiz Comics a partir do número #2. Antes da história em quadrinhos ser impressa, o artista Pete Costanza (Mai/1913 – Jun/1984) sugeriu mudar o nome do personagem principal da série, “Capitão Maravilhoso”, que foi encurtado pelos editores para “Capitão Marvel”. Ele apareceu pela primeira vez como o personagem em destaque na Whiz Comics # 2. A aparência física do Capitão Marvel foi baseada na do ator Fred MacMurray (Ago/1908 – Nov/1991).

Capa de Flash Comics #1, por C.C. Beck (Fawcett Publications, 1940)

Em 1941, a National Comics processou a Fawcett por violação de direitos autorais (alegando que “Captain Marvel” era um plágio/cópia de “Superman”). Depois de vários anos de litígio, o caso acabou indo a julgamento em 1948 para, em 1951, ser emitida sentença favorável à Fawcett Publications, na qual o juiz decidiu que o Super-Homem não estava devidamente protegido pela reclamante. Após recurso à decisão, o juiz Billings Learned Hand (Jan/1872 – Ago/1961) descobriu que os direitos autorais do Super-Homem eram válidos, mas o Capitão Marvel não o infringiu, apenas algumas de suas histórias. Em face de novas ações, a Fawcett concordou em parar de publicar o personagem e se estabeleceu um acordo no valor de US$ 400.000 (uma fortuna para a época) em 1953.

Após esses eventos, a Fawcett também decidiu fechar sua divisão de comics devido ao declínio das vendas de histórias em quadrinhos. Por conta disso, o Capitão Marvel mergulhou no esquecimento durante o restante dos anos 1950 e toda a década de 60 no mercado norte-americano, retornando somente durante a década de 1970. No Brasil, porém, ele foi republicado normalmente durante os anos 1960, pela RGE, do Rio de Janeiro. No Reino Unido, teve um substituto, o Marvelman, atualmente conhecido como Miracleman. Ironicamente, a DC licenciou o personagem com a própria Fawcett, em 1972. No entanto, a mesma não pôde oficialmente publicar ou comercializar uma história em quadrinhos chamada “Capitão Marvel” pois,  durante os anos entre 1953 (quando a Fawcett parou de publicar os quadrinhos do Capitão Marvel) e 1972, os direitos autorais da editora sobre o nome haviam expirado e, posteriormente, foi adquirido e utilizado pela principal concorrente da DC; a Marvel Comics (no personagem “Capitão Marvel”; Mar-Vell, o guerreiro Kree).

Capa de SHAZAM! #1, 1973

Devido a essa complicação legal (direitos autorais e marcas registradas), a DC foi forçada a criar um nome diferente para a revista. Eles decidiram batizar a nova publicação como SHAZAM!, a mesma palavra mágica do Capitão Marvel. Nos quadrinhos e anúncios publicados e comercializados pela DC, eles se referiram oficialmente ao Capitão Marvel como “Shazam” e chamaram seu elenco de personagens de “Família Shazam”. Apesar desta mudança legal/oficial, dentro das histórias em quadrinhos, Capitão Marvel, Capitão Marvel, Jr. e a Família Marvel ainda foram identificados usando e referidos por seus nomes originais “Marvel”.

A solução (desculpa) encontrada pela DC Comics para explicar o não envelhecimento do Capitão, seus aliados e mesmo sua galeria de vilões foi um composto criado por seu arqui-inimigo, Dr. Sivana: o suspendium;  tal elemento manteve em animação suspensa toda a Família Marvel, e demais personagens, assim como o próprio Sivana, por 20 anos (o período entre 1953-73 no qual Marvel deixou de ser publicado).

Capa de SHAZAM! #25, por Kurt Schaffenberger (1976)

Quando retornou, o Capitão Marvel foi desenhado por um de seus criadores e seu maior ilustrador, C.C. Beck, que se manteve à frente do título durante apenas nove números. Para ajustar Marvel à cronologia de sua nova casa, foi convencionado que ele e todos os personagens relacionados viviam na Terra-S, uma das incontáveis terras paralelas do multiverso DC. A revista Shazam! foi bimestral (nos EUA), com duração de 35 números (1973-78) e passou por várias fases: a partir do número 25, a série de TV homônima começou a influenciar o título, quando começou a ser impresso “A DC TV Comic” (Um quadrinho DC da TV) nas capas de Shazam!. No número 25, Ísis, que surgiu como um seriado gêmeo a Shazam fez sua primeira aparição numa revista, e logo ganhou sua própria série, que durou 8 números.

No número 26, tentou-se adaptar-se para comportar a realidade apresentada em sua popular série de TV, na qual o Mago Shazam deu a Billy Batson o Eterni-phone (essas coisas estavam me moda na época: lembram-se do Bat-Phone e a linha quente com a delegacia de Gotham?), aparelho que permitia comunicar-se com os Anciões, as figuras mitológicas que compunham o nome Shazam.

Capa de SHAZAM! #28, por Kurt Schaffenberger (1977)

O patrão de Billy, da WHIZ, deu-lhe um novo emprego, onde ele poderia ser um repórter móvel, guiando um furgão da rádio por todo o país. Além disso, Dudley, o Tio Marvel, deixou seu uniforme de lado e cultivou um bigode, oferecendo-se para acompanhar Billy como seu “Mentor”. Na edição #28, ocorre a primeira aparição de Black Adam (Adão Negro) desde a Era de Ouro dos quadrinhos.

O Mago Shazam permaneceria na Pedra da EternidadeCapitão Marvel Jr. e Mary Marvel (irmã de Billy) ficariam em Fawcett City (uma homenagem irônica da DC à editora original do Capitão) para defender a cidade. A partir do número 34, a arte de Shazam se libertou do traço inspirado por C.C. Beck e adotou um visual mais realista, que estava em voga nos quadrinhos da época. Infelizmente a série foi cancelada no número 35.

Quem é o Mago Shazam

A origem do O Campeão (antigo alter-ego do Mago Shazam) em The Power of Shazam #10 (1995), por Dick Giordano

Criado por Bill Parker e C.C. Beck, fez sua primeira aparição em WHIZ Comics #2. Sua origem é finalmente revelada em World’s Finest Comics #262 (1980): Shazam foi um jovem pastor natural de Canaã, cujo nascimento ocorreu por volta de  3.000 A.C. e, devido a um pacto com deuses agora esquecidos, ganhou incríveis poderes ao pronunciar a palavra VLAREM, uma anagrama de MARVEL. Cada letra, assim como na invocação realizada por Billy Batson, corresponde a uma divindade específica:

Força de Voldar
Sabedoria de Lumian
Velocidade de Arel
Poder de Ribalvei
Coragem de Elbiam
Resistência de Marzosh

Usando estes poderes, o rapaz passou a ser conhecido em sua época como o herói chamado O Campeão. Num determinado momento, ele é seduzido por um demônio disfarçado como uma bela mulher e ambos concebem dois filhos meio-demônios, Blaze e Satanus, para grande desgosto dos deuses. O Campeão mais tarde cria a Pedra da Eternidade a partir de duas grandes formações rochosas – uma do céu e outra do inferno – para manter As Três Faces do Mal, um demônio semelhante a um dragão (uma flagrante alegoria à besta do apocalipse), em cativeiro. Shazam aprisionou os demônios dos Sete Inimigos Mortais do Homem em estátuas de si mesmos e aprisionou-os na Pedra da Eternidade.

O Mago, por Gary Frank (ilustração) e Brad Anderson (cores)

Em sua versão Novos 52, Shazam é conhecido, apenas, como “O Mago” (“The Wizard”); natural do reino de Kahndaq, situado no Oriente Médio. O Mago (cujo nome real é Mamagaran) vem a ser o derradeiro remanescente de um conselho de seres cuja atribuição era a de controlar a mágica em nosso mundo, a partir da fortaleza conhecida por “Pedra da Eternidade”.

Um de seus primeiros atos foi sentenciar e punir os chamados “Maiores Transgressores da Terra”. O Conselho, então, convocou o Vingador Fantasma (Phantom Stranger), Pandora e Questão à Pedra da Eternidade e  deliberaram as punições que seriam aplicadas aplicadas a cada um deles. Em algum momento da história do Conselho dos Magos, a maioria de seus membros foi brutalmente assassinada (excetuando-se O Mago) por Adão Negro.

O Conselho dos Magos, por Gary Frank

A Pedra da Eternidade

A Pedra da Eternidade

A Pedra da Eternidade é um ponto fictício dentro do Universo DC, situado aparentemente no centro do tempo e do espaço. Trata-se do local que serviu como quartel-general para o Mago Shazam e, atualmente, para o Capitão Marvel. A Pedra é uma grande caverna, no centro de todas as dimensões, onde jaz o trono de Shazam, o Historama (espécie de TV que pode mostrar o passado, presente e futuro) e as estátuas que encerram os sete inimigos mortais do homem.

Voando ao redor da Pedra, os membros da Família Marvel podiam atingir qualquer tempo e dimensão. A Pedra foi criada na época dos cananeus pelo Mago Shazam, quando este ainda usava seu alter-ego de O Campeão. Combinando dois grandes rochedos, um do Céu e outro do Inferno, Campeão criou a Pedra para prender o demônio-dragão de três cabeças conhecido como as Três Faces do Mal (vide “Quem é o Mago Shazam”).

Durante a saga Dia de Vingança foi destruída pelo Espectro sobre Gotham City, libertando os pecados e outros males. Mais tarde, o Capitão Marvel, a equipe Pacto das Sombras e alguns outros super-heróis foram capazes de restaurá-la.

A Família Marvel (Família Shazam)

Capa de Marvel Family #1, por C.C. Beck (1945)

A Família Marvel, também conhecida como a Família Shazam, é um grupo de super-heróis que originalmente apareceu em revistas publicados pela Fawcett Publications, e mais tarde foram adquiridos pela DC Comics (vide “Um inimigo pior que Dr. Sivana e Adão Negro juntos: a burocracia”). Criada em 1942 pelo roteirista Otto Binder e o artista Marc Swayze, a equipe é uma extensão da franquia Capitão Marvel da Fawcett, e inclui a irmã de Billy Batson, cujo alter-ego heróico é Mary Marvel, seu amigo Freddy, o Capitão Marvel Jr. e, em vários momentos, muitos outros personagens, como o Tio Marvel e os Tenentes Marvel (ambos presentes na cronologia Pré-Crise nas Infinitas Terras).

O grupo foi oficialmente fundado em 1942 após as apresentações dos parceiros do Capitão Marvel, os Tenentes Marvel (WHIZ Comics #21, 1941), Capitão Marvel Jr. (WHIZ Comics #25, 1941) e Mary Marvel (Captain Marvel Adventures #18, 1942). Com as adições de Junior e Mary em suas aventuras, o Capitão Marvel se tornou o primeiro super-herói a ter uma equipe de ajudantes que compartilham seus poderes, habilidades e aparência; um conceito posteriormente adaptado para heróis como Super-Homem e Aquaman, entre outros.

Capa de Captain Marvel Adventures #18, por C.C. Beck (1942)

Os membros da Família Marvel apareceram separadamente (e juntos) em muitas das séries de quadrinhos da Fawcett, incluindo WHIZ Comics, Wow Comics, Master Comics, Captain Marvel Adventures, Capitão Marvel Jr., Mary Marvel e The Marvel Family. No final da década de 1940, os quadrinhos da Família Marvel estavam entre os mais populares do setor, e a mesma foi expandida para incluir personagens não-superpoderosos (Tio Marvel e Freckles Marvel) e até animais engraçados (Hoppy,  o Coelho Marvel). Em 1953, todos esses livros haviam cessado de ser publicados, devido à ação da editora Superman DC Comics contra a Fawcett.

Como já citado, a DC licenciou os direitos dos personagens da Família Marvel em 1972, e começou a publicá-los numa série de quadrinhos intitulada SHAZAM! Com o cancelamento da série, em meados dos anos 80, os Marvels haviam sido relegados a atrações secundárias da revista World’s Finest Comics e, mais tarde, da Adventure Comics. O retorno do Capitão se deu na minissérie Legends (Lendas), estabelecendo-o como um herói-solo, sem um time. O roteirista/ilustrador Jerry Ordway ressuscitou a família Marvel em 1995 na série The Power of Shazam!, estabelecendo a equipe como sendo composta exclusivamente por Capitão Marvel, Mary Marvel e Capitão Marvel, Jr. Após várias tentativas de relançar SHAZAM! Em meados dos anos 2000, a Família Marvel foi temporariamente dissolvida pelos escritores Geoff Johns e Jerry Ordway na Justice Society of America Vol.3 #25, com apenas o Capitão Marvel Jr., agora conhecido como Shazam, mantendo seus poderes, no entanto vindos de outra fonte. Nesse ínterim, o Capitão Marvel e Mary Marvel continuaram a aparecer em Billy Batson e na Magic of Shazam!, uma série de histórias em quadrinhos para todas as idades, publicada na linha infanto-juvenil Johnny DC, que durou de 2008 a 2010. O Capitão Marvel Jr. serviu durante um breve período como ajudante do inimigo de Marvel, assumindo a identidade Black Adam Jr (Adão Negro Jr).

A Família Marvel Pré-Crise, por Kurt Schaffenberger

A Família Shazam foi reintroduzida durante a minissérie Flashpoint em 2011, como seis crianças que falavam “Shazam!” em uníssono para se tornar um super-herói, o Capitão Trovão. No posterior “Novos 52” reboot que seguiu Flashpoint, o personagem Capitão Marvel foi renomeado “Shazam” e estrelou uma série de aventuras secundárias da revista Liga da Justiça Vol.2 de 2012 a 2013. Essas histórias, produzidas por Geoff Johns (roteiro) e Gary Frank (arte) apresentaram Billy Batson/Shazam e sua nova Família Shazam, composta por Billy e seus cinco irmãos adotivos, com quem ele pode compartilhar seus poderes.

Membros da Família Marvel

Mary Marvel, por Bruce Timm

Billy Batson (Capitão Marvel): O “mortal mais poderoso da Terra”, Capitão Marvel é o alter-ego do jovem Billy Batson que, ao pronunciar o nome do mago Shazam, torna-se um super-herói adulto.

Mary Batson (Mary Marvel): A irmã gêmea de Billy, Mary Batson (adotada como Mary Bromfield) que, ao pronunciar a palavra mágica “Shazam!” também tornou-se uma Marvel. Na Era de Ouro dos quadrinhos, Mary Marvel permaneceu uma adolescente após dizer sua palavra mágica, enquanto a versão moderna é transformada em uma adulta, como seu irmão. Na Era de Ouro,  Mary possuía um conjunto de patronos que contribuiu para seus poderes diverso aos do Capitão Marvel. Eles eram Selene (graça), Hipólita (força), Ariadne (habilidade), Zéfiro (rapidez), Aurora (beleza) e Minerva (sabedoria). Na atual continuidade da DC Comics (a partir de 2012), Mary Bromfield é uma das irmãs adotivas de Billy Batson, que sabe de sua identidade secreta e, com a ajuda de Billy, pode compartilhar seus poderes Shazam para ganhar uma forma similar à tradicional Mary Marvel.

Capitão Marvel Jr.

Freddy Freeman (Capitão Marvel Jr.): Amigo e colega de classe de Billy, tanto na Era de Ouro quanto nas versões de 1990 da Família Marvel, Freddy foi atacado e deixado inválido pelo supervilão Capitão Nazista, e recebeu o poder de se tornar um Marvel para salvar sua vida. Sempre ao pronunciar o nome do Capitão Marvel, Freddy se torna uma versão adolescente do herói. Isso criou um problema estranho que ele não conseguiu identificar sem voltar à sua forma regular. Em meados da década de 1990, o personagem Freddy passou a ser chamado pelo codinome CM3 (abreviação de “Captain Marvel Three”, “CM1” sendo Billy e “CM2” sendo Mary) para que ele pudesse se identificar sem se transformar. Ele era um membro dos Teen Titans (no Brasil, Novos Titãs) durante o final de 1990 e depois os Outsiders (no Brasil, Renegados), no início dos anos 2000. Durante os eventos de The Trials of Shazam! (2006-2008) Freddy ganhou os poderes do Capitão Marvel, enquanto Billy assumiu o manto do falecido mago Shazam. Na atual continuidade da DC Comics (a partir de 2012), Freddy Freeman (agora um adolescente loiro em vez do tradicional garoto de cabelos pretos, ainda com deficiência física) é irmão adotivo de Billy Batson, um batedor de carteiras e trapaceiro que compartilha o segredo de Billy e, também, seus poderes para ganhar uma forma semelhante a uma versão adulta do tradicional Capitão Marvel Jr.

Eugene Choi

Eugene Choi: Irmão adotivo de Billy Batson, é um adolescente de ascendência coreana com inteligência acima da média e totalmente dedicado aos estudos. Introduzido na minissérie Flashpoint, Eugene pode compartilhar o poder de Billy e se tornar uma versão adulta de si mesmo, com o poder adicional da tecnopatia: a capacidade de controlar e manipular a tecnologia através do pensamento.

Pedro Peña

Pedro Peña: Também irmão adotivo de Billy Batson, é um adolescente de ascendência latina bastante tímido e inseguro com seu excesso de peso. Introduzido na minissérie Flashpoint, Pedro pode compartilhar o poder de Billy para tornar-se uma versão adulta de si mesmo com quantidade extra de super-força.

Darla Dudley

Darla Dudley: Irmã adotiva de Billy Batson, é uma pré-adolescente afro-americana que foi abandonada pelos pais e acolhida pelos pais adotivos de Billy, os Vasquezes. Introduzida na minissérie do Flashpoint (como um adolescente da mesma idade das outras crianças), Darla também partilha os poderes de Billy, contudo, ao contrário do resto da Família Shazam, Darla continua com a mesma idade em forma super-poderosa, e sua velocidade é amplificada, tornando-a mais rápida que os demais.

A Família Marvel Pós-Flashpoint, por Gary Frank

Membros antigos

Capa de Whiz Comics #34, por C.C. Beck (1942)

Os Tenentes Marvel: São três outros garotos que, assim como Capitão Marvel, também se chamavam Billy Batson. Para diferenciar-se, o Billy do oeste dos EUA sugeriu ser chamado de Billy “Alto”, O Billy do Sul é o Billy “das montanhas” e o Billy do Brooklyn é o Billy “Gordo”. Eles descobriram que, por eles também se chamarem Billy Batson, eles poderiam utilizar o poder de Shazam. Os meninos juraram apenas usar seu poder se solicitado pelo Capitão Marvel e somente se todos os três dissessem a palavra mágica, “SHAZAM!” em uníssono. Eles não apareceram nas histórias da Família Marvel entre Crise nas Infinitas Terras (1985) e Flashpoint (2011), exceto por uma cena em The Trials of Shazam! #2 na qual fazem uma breve participação, apenas para perderem seus poderes. Após o reboot de 2011 na continuidade da DC Comics (Novos 52), os Tenentes Marvel aparecem como aliados não superpoderosos da Família Marvel em The Multiversity: Thunderworld (2015), onde eles, Mister Tawny e Tio Marvel ajudam a derrotar a Monster Society of Evil enquanto Capitão Marvel está lutando com o Doutor Sivana pelo controle da Pedra da Eternidade.

Hoppy, the Marvel Bunny: um personagem spin-off geralmente confinado à sua própria série, a versão coelho cômica e rosada do Capitão Marvel ajudava periodicamente os Marvels humanos em suas aventuras.

Outros membros

Esses membros da Família Marvel aparecem em histórias definidas no futuro.

Capa de Legion of Super-Heroes #110

Trovão (Thunder): Estrela de The Power of Shazam! anual de 1996, Thunder é o alter-ego super-poderoso de uma jovem do planeta Binderaan (uma referência ao roteirista e co-criador da Família Marvel, Otto Binder), cerca de 9.000 D.C., chamada CeCe Beck (ou, simplesmente, Beck, numa clara homenagem ao maior ilustrador e co-criador do herói).

Um capitão idoso Marvel serve como mentor da garota, de forma semelhante ao papel do mago Shazam em sua juventude. Sempre que Beck pronuncia as palavras mágicas “Capitão Marvel!”, ela é transformada em Thunder, uma super heroína adulta. Depois de se perder no centro do tempo, se uniu brevemente à Legião dos Super-Heróis no século 30.

 

Pág. de The Power of Shazam One Million, por Jerry Ordway

Tanist: Criado por Jerry Ordway, é um adolescente cuja primeira aparição se deu em The Power of Shazam! #1.000.000 (parte do evento DC One Million; no Brasil, DC Um Milhão, 1998). Nativo do planeta Mercúrio no século 853, o jovem Tanist e sua mãe fazem uma descoberta que os tornará ricos, apenas para serem roubados por um salteador ganancioso.

Sua mãe é morta e Tanist descobre uma passagem para a Pedra da Eternidade, onde encontra um idoso Capitão Marvel, que lhe concede o poder de Shazam para salvar sua vida, como ele fez (milênios antes) por Freddy Freeman/Capitão Marvel Jr.

Uma curiosidade interessante é o fato de possuir vulnerabilidade à magia (no entanto, apenas as mais poderosas são capazes de afetá-lo como, por exemplo, as manipuladas pelo Espectro).

Aliados/Coadjuvantes

Capa de Captain Marvel Adventures Vol.1 #82, por C.C. Beck (1948)

Sr. Tawky Tawny – Criado por Otto Binder e C.C. Beck, é um tigre antropomórfico (qual garoto ou garota nunca sonhou em ter um animal de estimação com quem pudesse conversar, como faz com seus amigos humanos?) que, em sua versão da Era de Ouro, desejava viver entre os humanos na civilização, em vez de na natureza ou no zoológico. Como tal, ele é tipicamente vestido com um terno, geralmente se comporta de maneira formal e educada. Tawny apareceu pela primeira vez em Captain Marvel Adventures #79 (1947), e se tornou o ajudante e melhor amigo do Capitão Marvel. Na série The Power of Shazam!, Tawky Tawny era uma boneca de pelúcia que foi animada pelo demônio Satanus para ajudar a Família Marvel na batalha contra sua irmã, Blaze. Em Shazam !: The Monster Society of Evil e , Billy Batson and Magic of Shazam!, Tawny é um metamorfo benevolente que pode se tornar um tigre à sua vontade. Durante uma batalha com o Doutor Sivana e Mister Mind, Tawny é atingido durante a transição entre as formas e tornou-se um tigre humanoide. Em Novos 52, Tawny é um tigre no zoológico local, que é alimentado regularmente por Billy Batson. Billy (como Shazam) usa sua magia para conceder a Tawny força e tamanho aprimorados, permitindo que ele se lute contra Adão Negro.

Capa de Marvel Family Vol.1 #8, por C.C. Beck (1947)

Tio Marvel (Dudley H. Dudley): Criado por Otto Binder e Marc Swayze, “Tio Marvel” sugiu como um coadjuvante/personagem-suporte para Mary Marvel e sua aparição inicial se deu em Wow Comics #18 (1943). Dudley, o Tio Marvel, não tinha superpoderes reais. Ele encontrou por acaso o livro de boas ações de Mary Batson e, após lê-lo, descobriu sua identidade secreta super-poderosa. Afirmando ser um tio vindo do estado da Califórnia, o velho Dudley tentou entrar na Família Marvel. Os Marvels, possuindo a sabedoria de Salomão, perceberam as maquinações do idoso, contudo, como ele era, na opinião deles, uma “velha e adorável fraude”, permitiram que Dudley se juntasse à equipe como seu gerente, o Tio Marvel, e demonstrasse sua ligação com Shazam. Quando lhe pediam para usar seus supostos superpoderes, Dudley sempre reclamava que seu “shazambago” (uma doença inventada pelo velho trapalhão para justificar a constante falha em seus poderes) estava agindo e interferindo em suas habilidades, embora os Marvels sempre soubessem que se tratava de um engodo.

Capa de Marvel Family Vol.1 #6, por C.C. Beck (1946)

Embora utilizado principalmente como um alívio cômico, Dudley desempenha papel fundamental em Família Marvel #1 quando engana o maligno Marvel Black Adam (estreando nessa história) para pronunciar a palavra mágica “Shazam!” e reverter ao seu alter-ego mortal. Em Mary Marvel #7, após Mary deter alguns bandidos, Dudley a faz prometer não se transformar em Mary Marvel até a meia-noite, para mostrar que ela é indefesa sem suas habilidades especiais. Ele, então, envia dois homens para roubar o escritório, sem saber que os indivíduos são realmente criminosos; os mesmos sequestram Mary e pedem um resgate para libertá-la. Os bandidos tentam forçar Dudley a escrever uma nota exigindo dinheiro porém, a meia-noite chega e Mary se transforma em Mary Marvel, prendendo os sequestradores.

O carismático Tio Marvel continuou aparecendo nas histórias da Família até 1948, quando a personagem foi silenciosamente descartada. Ele retornou aos quadrinhos quando a DC Comics começou a publicar novas histórias e reimpressões sob o título Shazam! em 1973. Após mais de quatro décadas participando das histórias  da Família Marvel, o velho tio Dudley foi renovado em 1987 com o resto da franquia Shazam!. Na minissérie de Roy Thomas e Tom MandrakeShazam! The New Beginning (1987), o personagem tornou-se Dudley Batson, um tio biológico do jovem Billy Batson, o alter-ego do Capitão Marvel.

Pág. de The Power of Shazam!, por Jerry Ordway (1994)

Uma versão renovada do Tio Marvel foi introduzida na graphic novel The Power of Shazam! (1994) de Jerry Ordway, e no título homônimo tornando a versão de Thomas e Mandrake não-canônica. Nas histórias de Ordway, Dudley H. Dudley é o zelador da escola de Billy Batson, que, inadvertidamente, descobre ser  Billy, o menino sem-teto, o alter ego do Capitão Marvel. Essa revelação leva Dudley a se envolver em uma série de aventuras da Família Marvel, incluindo uma história (The Powe of Shazam! #11 e #12) na qual Dudley ganha temporariamente superpoderes (e o traje “Tio Marvel” de sua versão Era de Ouro) graças ao vilão Ibis, o Invencível. Dudley continuou a fazer aparições recorrentes em The Power of Shazam! como um personagem de apoio, muitas vezes ao lado de Tawky Tawny, um tigre antropomórfico amigo do Capitão Marvel, que passa a morar com Dudley.

Após o cancelamento da publicação em 1999, “Tio” Dudley virtualmente desapareceu das publicações da DC Comics, exceto por uma breve aparição em DC 52 #16, no casamento de Adão Negro e Isis além de duas breves participações em edições ilustradas por Jerry Ordway de Justice Society of America em 2009 (Vol.3, #24 e #28). O tio Dudley teve destaque no tie-in Convergência: Shazam! do evento Convergência (2015), bem como uma breve participação na edição #4 da minissérie “Thunderworld” de Grant Morrison, parte do evento The Multiversity.

Um reflexo distorcido

Criada por Geoff Johns, Greg Rucka, Mark Waid e Grant Morrison, a Família Marvel Sombria (ou Família Marvel Maligna), trata-se de uma variação do conceito da Família Marvel original com o antigo arqui-inimigo do Capitão Marvel, Adão Negro, como foco central, foi apresentada nas páginas da revista em quadrinhos semanal DC 52 #23 (2006). Seus membros são:

Adão Negro, versão Novos 52

Adão Negro: Um renegado egípcio que foi o primeiro a receber super poderes do mago Shazam. Adão acabou por abusar do seu poder e tornou-se um tirano. Shazam puniu o ex-protegido com o exílio no espaço profundo (nas publicações da Fawcett) ou a morte (na moderna DC Comics). Ele retorna à Terra (ou vida) após Shazam nomear o Capitão Marvel como seu novo sucessor, e logo foi estabelecido como o mais poderoso inimigo do Capitão Marvel no quesito habilidades físicas. Mais tarde, em Washington, Adam juntou-se à Sociedade da Justiça da América, alegando ter se regenerado, para depois se voltar contra o grupo e, de quebra, usar alguns de seus associados mais jovens para ajudá-lo a derrubar o governo de seu país natal, Khandaq. Adam foi um dos personagens principais da maxi-série de 52 publicações intitulada DC 52, que seguiu suas tentativas de se estabelecer como um herói, levando-o a criar uma “Família Marvel” própria, cujos membros incluíam sua esposa super-poderosa Isis e uma versão do Capitão Marvel Jr., Osiris. Na atual continuidade dos Novos 52, Adão Negro foi um ex-escravo Khandaq nos tempos antigos que recebeu o poder de Shazam junto com seu jovem sobrinho, a quem ele mata por não compartilhar seu desejo de vingança contra seus inimigos. Adão assassina os membros do Alto Conselho de Magia da Terra, exceto pelo mago Shazam, que o aprisionou até Adão ser libertado pelo Doutor Sivana nos tempos modernos.

Isis, versão Novos 52

Isis: A super-heroína Isis foi originalmente criada para estrelar o programa de TV The Secrets of Isis da Filmation, uma série irmã da adaptação de Shazam produzida pelo mesmo estúdio. Isis se uniu ao Capitão Marvel em algumas ocasiões na televisão e nos quadrinhos, possuindo uma revista em quadrinhos (a publicação, infelizmente, foi cancelada na oitava edição), licenciada à DC Comics no final dos anos 70. Em 2006, a mesma DC criou uma nova Isis introduzindo-a em seu universo. Esta Ísis é o alter-ego de Adrianna Tomaz, originalmente uma escrava egípcia oferecida a Adão Negro pelo grupo terrorista Intergang como um tributo cujo objetivo era ocnquistar a simpatia do vilão/anti-herói. Apesar de Adão ter lidado duramente com os traficantes de escravos e matar um deles, Adrianna se torna seu interesse amoroso e faz dele uma figura mais misericordiosa, recebendo um amuleto especial que permitiu a ela tornar-se o avatar da deusa egípcia. Adam casou-se com Isis, mas sua morte nas mãos dos Quatro Cavaleiros de Apokolips levou-o a um acesso de fúria assassina. No final da minissérie Black Adam: The Dark Age (2007), Isis foi ressuscitada por Felix Fausto. No entanto, o feiticeiro manipula a alma da jovem, deixando-a muito mais fria e implacável que antes, tornando-a ainda menos misericordiosa do que seu marido. Na atual continuidade dos Novos 52, Adrianna Tomaz é uma guerreira da liberdade que ajuda seu irmão Amon a ressuscitar Adão Negro após sua derrota nas mãos do herói Shazam.

Osiris, versão Novos 52

Osiris – O adolescente Amon Tomaz é o irmão há muito perdido de Adrianna que havia sequestrado, escravizado e mutilado pela Intergang. Adão compartilhou seus poderes com Amon, permitindo que ele se transformasse em Osíris, pronunciando o nome “Adão Negro!”. Osiris foi assassinado por seu confiável companheiro, Sobek, o crocodilo falante, mais tarde revelado como Fome, um dos Quatro Cavaleiros. Durante o evento crossover de 2009-2010, Osíris foi ressuscitado ao lado de outros heróis e, mais tarde, tornou-se um Lanterna Branco, com a finalidade de libertar Ísis. Nos Novos 52, Amon Tomaz é um combatente da liberdade que ajuda a ressuscitar Adão Negro após sua derrota nas mãos do super-herói Shazam.

Sobek: Sobek é um crocodilo humanoide inteligente, criado e abandonado pela Família Sivana, que faz amizade com a Família Marvel Sombria durante a maxi-série DC 52, após de escapar de sua gaiola no complexo de Sivana. Apesar de sua aparência monstruosa, o personagem é retratado como tímido, manso e bem-humorado, fazendo dele o análogo de Tawny Tawny (o Tigre Marvel). Sobek revela um lado mais horripilante em 52, semana 43, quando convenceu um Osiris distraído a mudar para sua forma mortal e, de súbito, o matou e devorou. Sobek foi revelado na semana 44 como sendo o Cavaleiro da Fome. Aparentemente, foi morto por Adão Negro num misto de vingança e auto-defesa. Contudo, reaparece na minissérie 52 Aftermath: The Four Horsemen.

Uma galeria de vilões mais bizarra que assustadora

O Capitão Marvel e Família enfrentaram, ao curso das décadas, as mais profusas ameaças; inimigos que iam do clássico “cientista louco” a antagonistas realmente perigosos, como Adão Negro. Aqui serão listados os que participam de mais que uma única edição e/ou são relevantes na mitologia do herói:

O infame Doutor Sivana

Doutor Thaddeus Bodog Sivana: Criado por Bill Parker e C. C. Beck, o supervilão apareceu pela primeira vez no final de 1939, contracenando com o super-herói Capitão Marvel em Whiz Comics #2 pela Fawcett Comics. Sivana foi logo estabelecido como o arqui-inimigo do Capitão Marvel e seu mais frequente adversário, um papel mantido por ele até o presente, em suas aparições na DC Comics. Em 2009, Doutor Sivana foi classificado como o 82º Maior Vilão de História em Quadrinhos de Todos os Tempos da IGN. Beck disse que Parker criou o nome de Sivana combinando o nome do deus indiano Siva com a palavra “nirvana”. O personagem fará sua estréia cinematográfica no próximo filme Shazam!, interpretado por Mark Strong.

Baixinho, careca, míope e totalmente devotado ao mal, Sivana é o arquétipo do “cientista maluco”, dotado de enorme intelecto e notável pela criação/desenvolvimento de engenhocas fantásticas utilizadas com dois únicos objetivos: a conquista do mundo e a destruição do “Grande Queijo Vermelho” (“Big Red Chesse”; alcunha dada por ele a seu arqui-inimigo). Seu bordão era “Curses! Foiled again!” (“Maldições! Frustrado outra vez!”; numa tradução livre), bem como sua inconfundível risada maligna: “Heh! Heh! Heh!”.

Capa de DC Comics Presents Annual #3, por Gil Kane (1984)

Em sua encarnação da Era de Ouro, Sivana teve quatro filhos: os primeiros foram Beautia (Linda) and Magnificus Sivana. A jovem, cuja primeira aparição se deu em WHIZ Comics #3 (1940), partilhava o desejo de seu pai por poder e dominação mundial até conhecer e se apaixonar pelo Capitão Marvel. Tornando-se uma aliada recorrente e auxiliando a frustar os planos do cientista, ela não escondia seu interesse romântico em Marvel, sem imaginar que o alter-ego do tímido herói tratava-se de um menino. Seu irmão Magnificus é, também (para desespero do vilão), um aliado da Família Marvel, embora em sua única aparição na Era de Ouro (WHIZ Comics #15, 1941), era super-forte e enfrentou o Capitão Marvel num combate corpo-a-corpo. Já seus irmãos mais jovens, filhos do segundo casamento do gênio do mal, Georgia e Thaddeus Bodog Sivana Jr. eram totalmente malignos, sempre auxiliando Sivana em seus planos nefastos (os quatro irmãos – e o pai – são conhecidos por “Família Sivana”).

Você, que leu o artigo até aqui, deve estar se perguntando o motivo pelo qual decidi manter o nome original da personagem (em inglês, é Dr. Sivana, mesmo). Segundo Luiz Antônio Sampaio, na revista “Calafrio” nº 38 (1988), a explicação mais plausível para a inserção do “L” foi uma questão de preferência dos tradutores (provavelmente por considerarem “Sivana” estranho para nossos padrões) das primeiras publicações do Capitão no Brasil.

Família Sivana

Capa de Master Comics #21, por Mac Raboy (1941)

Captain Nazi (Capitão Nazista): Criado por William Woolfolk e Mac Raboy, fez sua primeira aparição em Master Comics #21 (1941), Albrecht Krieger foi geneticamente alterado por seu pai (um cientista do Terceiro Reich) transformando-se, assim, “espécime perfeito” para lutar por Adolf Hitler e os Poderes do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Ele recebeu força e resistência sobre-humanas, e um gás especial que lhe permite voar. Ele é enviado para enfrentar os super-heróis norte-americanos em resposta a suas ações durante o conflito. O vilão, em sua estréia, combate Capitão Marvel e Bulletman. Durante a segunda metade de sua batalha contra Marvel na Whiz Comics #25 (1941), os nazistas atacam dois espectadores inocentes que por acaso estavam pescando perto do local da luta, depois que o puxaram para fora do lago e escaparam. Um deles, um ancião chamado Jacob Freeman, é morto no entanto, o neto adolescente do ancião, Freddy Freeman, é salvo pelo capitão Marvel, embora sua coluna tenha sido quebrada com um golpe de um remo enquanto o nazista escapa no barco; porém, devido ao Capitão Marvel conceder parte de seu poder para o rapaz, Freddy se torna o Capitão Marvel Jr. Ele é então enviado pelo Capitão Marvel para enfrentar (e derrotar) o Capitão Nazista.

O Capitão Nazista da Era Moderna

Marvel Junior que, apesar de partilhar o poder de Shazam! com Billy Batson, permanece deficiente em seu alter-ego, segue odiando os nazistas (e, principalmente, o Capitão), e ambos freqüentemente lutam entre si. Nazi também é membro da Monster Society of Evil comandada por Mister Mind, uma das mais poderosas organizações de vilões do mundo, que incluiu Adolf Hitler, e (dentre outros atos malignos) os ajuda a roubar um conjunto de pérolas mágicas de adivinhação de uma princesa, levando o Capitão Marvel a seu esconderijo, assim revelando a existência da Sociedade ao herói. Teve diversas participações nas revistas da Fawcett durante os anos da Segunda Guerra Mundial, antes de sua aparição final em Captain Marvel Jr. #14 (1944).

“Muscles” McGinnis (“Músculos” McGinnis): O antagonista de uma história publicada em Capitão Marvel Adventures #3 (1941), era o gangster mais “durão” da cidade, possuindo enorme força. “Músculos” McGinnis promete se endireitar após ter sido derrotado pelo Capitão Marvel quando tentou assumir a Estação WHIZ, pois sentiu que a lei era muito mais forte. O personagem foi reintroduzido como um coadjuvante recorrente na série The Power of Shazam!, onde havia se regenerado, tornando-se um policial disfarçado e um freqüente aliado do Capitão Marvel.

O Senhor Cérebro Pré-Crise nas Infinitas Terras

Mister Mind (Senhor Cérebro): Criado por Otto Binder e C.C. Beck, Mister Mind participou apenas como uma voz em Capitão Marvel Adventures #22, sua primeira aparição real foi em Captain Marvel Adventures #26 (1943). Um dos principais vilões do Capitão Marvel, o Senhor Cérebro é um verme alienígena de elevadíssima inteligência. Cérebro geralmente executa seus planos malignos através de uma organização chamada The Monster Society of Evil, uma das primeiras equipes de personagens dos quadrinhos a conter vilões que um super-herói havia combatido anteriormente; antes disso, as equipes de supervilões eram compostas de vilões criados apenas para um determinado enredo. A Sociedade estrou em Captain Marvel Adventures #22 (1943), e o arco “Monster Society of Evil” resultante continuou por dois anos nessa mesma publicação, terminando na edição #46.

 

Versão moderna do Senhor Cérebro

O Mister Mind da Era de ouro possuía telepatia limitada e a habilidade de gerar seda quase indestrutível a velocidades mais rápidas do que o olho humano poderia acompanhar, falava através do uso de uma “caixa de conversa” que pendia em seu pescoço amplificando sua voz, e retratado sempre utilizando grossos óculos de grau. Em Shazam #2 (abril de 1973), ele é descrito como tendo o corpo de um vermezinho, a consciência de um Hitler e o cérebro de um gênio.

A versão atual do Mister Mind, introduzida por Jerry Ordway na série The Power of Shazam!, é um verme (retratado de forma mais realista), nativo do planeta Vênus, possuindo poderes que incluem controle da mente, telepatia e projeção de imagens mentais. É o único sobrevivente de uma raça de invertebrados venusianos controladores da mente que uma vez governaram seu planeta, e tem participação irregular nas histórias do Universo DC tentando encontrar hospedeiros e/ou clonar a si mesmo.

Capa de Captain Marvel Adventures #78, por C.C. Beck (1947)

Mister Atom: Criado por Otto Binder e C.C. Beck, fez sua primeira aparição em Captain Marvel Adventures #78  (1947). Atom, construído pelo Dr. Charles Langley, era um robô alimentado com energia radioativa. A faísca que deu “vida” à engenhoca  também deu cabo de seu criador. Super-carregado com um reator nuclear e armado com uma mente mortal, o Sr. Atom começou uma onda de destruição, acreditando que ele deveria governar o mundo (você lembrou da franquia “Terminator”?) e matou várias pessoas em Washington, antes de ser desafiado a lutar até o fim pelo Capitão Marvel enquanto tentava para atacar o edifício da ONU. Derrotado pelo Capitão Marvel, Mister Atom foi preso em uma cela subterrânea, pois nenhuma outra prisão existente conteria seu poder (e, como os clássicos vilões, ele ameaça fugir um dia).

 

Capa de Justice League of America #137, por Ernie Chan (1976)

Foi reintroduzido nos quadrinhos em 1976, época em que a DC Comics adquiriu os direitos de uso dos personagens do Capitão Marvel; Um membro da galeria de vilões de Marvel, o Rei Kull (não confundir com o personagem homônimo publicado pela Marvel Comics, criado nos anos 20 por ninguém menos que o escritor Robert E. Howard), usou seus conhecimentos científicos avançada para trazer Atom de volta e empregou sua ajuda contra o Esquadrão de Justiça de Shazam. A primeira aparição de Atom em uma história em quadrinhos da DC se deu em Justice League of America #137, um crossover apresentando o primeiro encontro do Capitão Marvel com Super-Homem.

Sua versão Pós-Crise foi reformulada por Jerry Ordway e reinserida em The Power of Shazam! #23 (1997; mais de duas décadas após sua aparição em Justice League). A origem moderna de Mister Atom era semelhante a de sua versão na Era de Ouro. A aparência, no entanto, foi modificada: o ciborgue humanóide original deu lugar a um gigantesco (e bem mais mecânico) robô gigante. Em sua nova história de origem, Atom, a princípio não era um vilão; recebeu ordens do Dr. Langley, antes de falecer, para encontrar uma mulher capaz de cuidar dele em seus últimos dias de vida. Mister Atom interpretou Mary Marvel como um espécime adequado à exigência de seu criador e raptou-a, até que o Capitão Marvel finalmente conseguir resgatá-la. Em The Power of Shazam! #27 (1997), Mister Atom foi controlado pelo Senhor Cérebro para criar uma explosão nuclear que destruiu a cidade de Fairview, lar dos Marvels, matando milhares de pessoas. Seus poderes incluem força e resistência sobre-humana de nível superior, bem como seu corpo robótico é praticamente imune a danos. Atom pode, também, voar e disparar explosões nucleares de suas mãos.

Pág. de Captain Marvel Adventures #125, por C.C. Beck (1951)

King Kull (Rei Kull): Também conhecido pela alcunha “Beast-Man” (“Homem-Fera”), foi criado por Otto BinderC.C. Beck, tendo sua primeira aparição registrada em Captain Marvel Adventures #125 (1951). Kull apareceu em aventuras do Capitão Marvel durante a década de 50 e no período onde a DC Comics reviveu o herói durante a década de 70 do último século.

Em tempos pré-históricos (por volta de 28.000 A.C.), o Rei Kull foi o governante dos Submen, uma raça brutal, mas tecnologicamente avançada, que governou a humanidade até ser derrubada em uma revolta milhares de anos atrás, quando os humanos os superavam em número e decidiram libertar-se de seus algozes. Kull simula sua morte com uma explosão e sobrevive até o século 20 em animação suspensa numa caverna e desperto, por conta de um terremoto, ameaça repetidamente o mundo moderno dominado por humanos com sua imensa força, resistência e tecnologia bizarra.

Capa de Justice League of America #135, por Dick Dillin (1976)

Rei Kull apareceu ocasionalmente como membro da Monster Society of Evil e ajudou em seu ataque à Pedra da Eternidade com um exército reunido em (pasmem) 247 planetas. O personagem não foi visto desde que a história do Capitão Marvel foi reiniciada em Crise Nas Infinitas Terras (1985). Em Captain Marvel Adventures #3, um vilão de aparência semelhante, Beast-Ruler (Senhor das Feras) aparece, criado pelo cientista louco Sivana com um corpo humanoide e qualidades animais como a força de um gorila e a astúcia de uma raposa. Ele se volta contra Sivana e tenta atacar a humanidade com um exército de animais, declarando seu ódio aos seres humanos (apesar de sua aparência semelhante) e planejando fazer com que as feras governem. Em WHIZ Comics #7 uma raça de homens pré-históricos que foram congelados por milhares de anos no Pólo Norte faz sua única aparição. Kull (de Binder e Beck) é, possivelmente, uma combinação dessas criaturas e do Senhor das Feras.

O personagem teve seu retorno (em mais de 20 anos longe das páginas) na quinta edição da série limitada Justice League: Cry For Justice. Aqui, ele foi mostrado enfrentando Stargirl e Cyclone como parte de uma conspiração engendrada por Prometheus para distrair os super-heróis da Terra, permitindo-lhe plantar dispositivos de teleporte em várias cidades. Reapareceu em Convergence: Shazam! #1 e #2.

Capa de Captain Marvel Adventures #61, por C.C. Beck (1946)

Oggar, the World’s Mightiest Immortal (Oggar, o Imortal Mais Poderoso da Terra): Criado por Otto Binder e C.C. Beck, Oggar foi um vilão da cronologia do Capitão Marvel na era Pré-Crise; todavia, desapareceu após essa reformulação (retornando, apenas, nas edições 1 e 2 do evento Convergence). Seu surgimento se deu em Captain Marvel Adventures #61 (1946). Sua primeira história na DC Comics foi em World’s Finest Comics #264 (1980). Ele era um grande inimigo recorrente da Família Marvel nas histórias da DC Comics publicadas antes da maxi-série Crise nas Infinitas Terras (1985).

A origem de Oggar (narrada pelo mesmo em Captain Marvel Adventures #62) tinha influência direta na história dos poderes de Capitão Marvel e seu mentor (na Era de Ouro): no princípio, o mago Shazam se chamava Shazamo. Ele era um bruxo poderoso e liderou um panteão de heróis cujas iniciais formaram seu nome: Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles, Mercúrio… e Oggar. No entanto, o poder corrompeu Oggar, e o mesmo afirmou que Shazamo estava envelhecendo e ele deveria liderar o panteão em seu lugar. Após uma batalha de proporções cósmicas, ele é finalmente derrotado pelo mago. Shazamo, conseqüentemente, condenou Oggar a viver entre os mortais e removeu o “O” de seu nome. Antes de sair, Oggar estava próximo o suficiente dos portões do templo de Shazamo para ouvir uma profecia: no século XX, o mago (agora Shazam) morreria e teria um sucessor chamado Billy Batson. Billy estava destinado a se tornar o Capitão Marvel e adquirir os poderes combinados dos heróis remanescentes do panteão. Oggar pensou que seria sensato aguardar até o século XX, quando haveria apenas o Capitão Marvel, em vez de sete inimigos para derrotar.

Capa de World’s Finest Comics #264, por Ross Andru e Dick Giordano (1980)

No entanto (3000 anos atrás, no mundo mortal), Oggar tentou seduzir a bela Circe para ser sua rainha enquanto tentava conquistar o planeta, mas ela se recusou (nota: esta é a Circe da Terra, semelhante à figura mitológica, não a mesma Circe do Universo DC real). O amaldiçoado (uma de suas alcunhas) tentou se vingar, mas sua magia é incapaz de prejudicar as mulheres. Então, ao invés disso, ele deu a ela um presente fazendo-a imortal. No entanto, o feitiço não fez nada para mitigar os efeitos do envelhecimento e, após cerca de 200 anos, ela ainda estava viva, mas terrivelmente feia e enrugada. Ela finalmente desenvolveu um ódio mortal de todos os homens que agora estavam horrorizados com o rosto dela. Ela aprendeu bruxaria e como transformar homens em animais. Depois de sua rebelião, o mago Shazam amaldiçoou Oggar com cascos fendidos.

Você pode observar que a história de Shazam(o) e Oggar remete de forma direta ao mito judaico-cristão de Jeová e Lúcifer, onde esse último, um anjo perfeito, rebela-se contra seu deus, o criador de todas as coisas quando o mesmo decide que todos os de sua raça (serafins, arcanjos, querubins, etc.), deveriam servir à recém-surgida humanidade. A punição de Oggar é bem semelhante: foi banido de um reino místico/mítico e teve os pés transformados em cascos, uma clara alusão à transformação do Estrela da Manhã (um dos vários nomes de Lúcifer) em demônio após a derrota na Grande Rebelião Celeste organizada por ele. Outros itens nas histórias do Capitão Marvel também estão ligados de forma intrínseca à religião, como os já citados Sete Inimigos Mortais do Homem e a besta-dragão certa vez aprisionada pelo mago Shazam na Pedra da Eternidade.

Pág. de Captain Marvel Adventures #62, por C.C. Beck (1946)

Oggar retornou no século 20 e lutou contra o Capitão Marvel enquanto tentava recrutar pessoas para o Culto da Maldição. A punição para aqueles que abandonavam a seita era a loucura. No entanto, ele finalmente encontrou Circe, que o transformou em um javali. Nesta forma, ele aparentemente morre após cair de um precipício. No entanto, ele foi capaz de se reconstituir com sua magia e se juntou à Monster Society of Evil. Assim como Rei Kull, também aparece em Convergence: Shazam! #1 e #2.

Oggar tem força e resistência equivalentes às do Capitão Marvel. Ele possui magia que lhe permite fazer quase qualquer coisa, como transformar o Capitão Marvel de volta em relâmpago ou tirar a voz pessoas, embora cada feitiço só possa ser usado uma vez contra o mesmo indivíduo. O poder do imortal mais poderoso da Terra não pode ser usado para prejudicar diretamente uma fêmea alvo (no entanto, Oggar repetidamente trabalhou em torno desta limitação; uma vez concedendo a imortalidade para Circe sem dar-lhe uma aparência eternamente jovem e, noutra ocasião, direcionando um raio mágico contra o solo sob os pés de Mary Marvel). O amaldiçoado também pode voar, é imortal e não pode envelhecer. No entanto, ele é vulnerável a magias de transformação.

É provável que o personagem tenha sido incorporado a outro arqui-inimigo de Marvel em versões mais modernas: o Adão Negro. As semelhanças físicas, bem como poderes e habilidades entre ambos,  são gritantes.

Evil Eye (Olho Maligno ou Olho do Mal): Um membro da Monster Society of Evil. Um ciclope dotado da habilidade de hipnotizar. Quando Mister Mind tenta escrever um livro sobre si mesmo, Mind Kampf (uma paródia de Mein Kampf, livro autobiográfico escrito por Adolf Hitler), para convencer as pessoas de que ele deveria ser seu líder, Billy Batson conhece um ladrão vendendo cópias dele e diz que gostaria de visitar os impressores da obra. O bandido diz que o Sr. Mind recentemente matou um dos funcionários em um ataque de raiva; ao saber disso Billy decide agir. Quando o jovem chega ao local de impressão dos livros, o Sr. Cérebro o reconhece e ordena ao Olho do Mal para hipnotizá-lo. Billy então recebe ordens para anunciar o livro pelo rádio, assim como dizer que o Capitão Marvel é mau. Na sequencia, Billy convoca seu alter-ego, que aparentemente também está hipnotizado. Mister Mind o coloca para trabalhar imprimindo novas cópias, mas descobre tarde demais o fato de Marvel não ter sido hipnotizado e o conteúdo dos volumes impressos por pelo herói revelam toda a verdade sobre ele.

Capitão Marvel vs. Os Homens-Crocodilo

Crocodile-Men (Homens-Crocodilo): Indivíduos oriundos a uma raça de crocodilos humanoides nativa do planeta Punkus que eram membros da Monster Society of Evil:

Herkimer – é o segundo em comando do Sr. Cérebro. Ele aparece em Shazam #2, mas se regenerou e está trabalhando em um parque de diversões. Em uma aventura, ele revelou ao Capitão Marvel o local onde o Sr. Cérebro está preparando seu plano, permitindo ao herói derrotar e capturar o verme maligno.
Jorrk – o maior cientista dos homens-crocodilo e um dos três tenentes do Sr. Cérebro, ao lado do Dr. Smashi e Herr Phoul. Morreu na explosão de um depósito de munição.
Sylvester – é um dos artilheiros preferidos de Mr. Mind.
Havia muitos homens-crocodilo anônimos que apenas agiam como capangas para o Sr. Cérebro. Um deles era um dos Professores-Monstro, enquanto outros eram Estudantes-Monstros.

O maligno Ibac

Ibac: Criado por Otto Binder e C.C. Beck, estreou em Captain Marvel Adventures #8 (1942). O alter-ego de Ibac é Stanley “Stinky” Printwhistle, um bandido que tenta explodir uma ponte, mas é pego na explosão e é salvo por Lúcifer, que oferece a Printwhistle a chance de se tornar um campeão do mal e derrotar o Capitão Marvel em troca de sua alma. Printwhistle aceita, e o Portador da Luz convoca quatro vilões históricos, e ao criminoso é dito para pronunciar a palavra mágica “IBAC”. Ao fazê-lo, o frágil e grisalho bandido se transforma em Ibac, um homem extremamente forte e brutal. O processo para retornar à sua identidade civil é o mesmo utilizado por Billy Batson/Capitão Marvel: dizer novamente o seu nome. Em sua aparição inicial, é derrotado após o Capitão Marvel golpeá-lo com tal força, fazendo os espíritos malignos no corpo de Printwhistle abandonarem-no. Por não ter sido capaz de derrotar o Capitão Marvel, Printwhistle não foi obrigado a entregar sua alma ao diabo, regenerando-se. No entanto, por ser dono de um caráter torpe, ele foi frequentemente obrigado por outros criminosos a se tornar o maligno Ibac novamente. Em sua primeira aparição na Era de Prata (Shazam #4, 1973), os espíritos dos vilões que lhe deram seus poderes telepaticamente se comunicam com ele, forçando-o a assumir seu alter-ego. Após a derrota, seus “patronos” retiram seus poderes.

Stanley “Stinky” Printwhistle

Em Shazam #29 (1977), seu “benfeitor original”, o Príncipe Lúcifer, lhe dá maior poder por um breve período; todavia, ele desiste (para escapar das investidas românticas da vilã Tia Minerva) após receber conselhos de Salomão. No período anterior a Crise nas Infinitas Terras, Ibac foi membro da Monster Society Of Evil, e se juntou à sua primeira versão da Era de Prata. Mais recentemente, ele apareceu na saga Villains United como membro da Sociedade Secreta de Super Vilões. Um ano depois, Ibac apareceu na série Secret Six, ainda na Sociedade, lutando contra o segundo Ragdoll sob as ordens do grupo. Ragdoll escapa, deixando um Ibac ferido (Secret Six #02, 2006).

Ibac é visto entre os vilões capturados em Salvation Run. Lá ele está em Camp Lex e começa uma discussão com as pessoas que não estão trabalhando para ajudar a construir a máquina que precisam para voltar para a Terra. Também participou da edição especial DC Holiday ’09 lutando contra o Capitão Marvel mais uma vez, contudo, o espírito das festas surge e diz-lhe para que parem de lutar e trabalhem juntos em prol de reparar a destruição ocorrida durante o combate entre ambos. O Capitão Marvel, então, lhe permite ir. No último painel, ambos são mostrados em uma cozinha como voluntários em suas formas humanas, mas nenhum reconhece o alter-ego do outro.

Na nova linha do tempo iniciada em Novos 52, Ibac é retratado como um governante bárbaro do mal que escravizou o povo Khandaq antes de ser derrotado e transformado em pedra por Adão Negro, cuja família ele assassinou. Séculos mais tarde, um de seus descendentes toma o mesmo nome apenas, a exemplo de seu antecessor, para ser morto por Adam. Ibac possui força sobre-humana (é quase tão poderoso quanto o Capitão Marvel), velocidade, agilidade e resistência. O vilão ganha seus poderes ao invocar os seguintes patronos:

Pelo Terror de Ivan, o Terrível, vigor sobre-humano
Pela Astúcia de Cesare Borgia, invulnerabilidade
Pela Ferocidade de Átila, o Huno, força sobre-humana
Pela Crueldade de Calígula

Pág. de Capitão Marvel, Jr. #4, por Al Carreno (1943)

Sabbac: sua primeira versão estreou na publicação Capitão Marvel, Jr. #4 (1943), criado por Otto Binder e Al Carreno como um inimigo do Capitão Marvel Jr., enquanto a versão moderna estreou em Outsiders Vol.3 #8 (2004), criado por Judd Winick e Tom Raney em 2004 como um antagonista para a equipe formada pelos heróis Cap. Marvel Jr. e os Outsiders (no Brasil, Renegados).

O Sabbac original é descrito como um “oposto sombrio” dos Marvels, similar a outro inimigo do Capitão Marvel, Ibac, que tira seus poderes de quatro vilões históricos. As forças sombrias do Inferno concederam ao humano Timothy Karnes (alternativamente escrito como Barnes) o poder de se tornar um ser com habilidades grandes o suficiente para rivalizar com o Capitão Marvel. Para acessar esse poder, tudo o que Karnes tem a fazer é dizer a palavra mágica “Sabbac”; raios mágicos negros surgem do submundo, transformando-o em um demônio com super-força, super-velocidade, voo, hálito de fogo e a capacidade de emitir rajadas incandescentes das palmas de suas mãos. Tal como a invocação ‘Shazam!’, a palavra “Sabbac” é um acrônimo para os seis seres que lhe concedem suas nefastas habilidades: os demônios Satanás, Aym, Belial, Belzebu, Asmodeus e Crateis (mais uma vez, os criadores de Marvel recorrem a elementos da mitologia judaico-cristã). Sabbac assemelha-se a seu alter-ego trajando uma túnica verde, mas com uma constituição mais musculosa e presas protuberantes. O vilão era um inimigo do Capitão Marvel, Jr. aparecendo em duas edições da revista Captain Marvel Jr. (#4 e #6, ambas de 1943), e em duas edições World’s Finest Comics e Adventure Comics no início dos anos 80. Quando ele surgiu pela primeira vez, juntou-se a agentes dos nazistas, sendo-lhe prometido poder sobre os Estados Unidos caso os auxiliasse a conquistar o país.

Pág. de Outsiders Vol.3 #8, por Tom Raney (lápis) e Sean Parsons (arte-final)

Em 2004, o Sabbac foi introduzido na continuidade DC em Outsiders Vol.3 #8. Escrita por Judd Winick, a história estabeleceu Timothy Karnes como irmão adotivo de Freddy Freeman (o alter-ego do Capitão Marvel Jr.). Os pais de Freddy, David e Rebecca Freeman, adotam Timothy, mas o menino foi enviado para morar com outra família quando o casal foi morto em um acidente de carro. Timothy se viu arrastado de um lar adotivo abusivo para outro, e cresceu odiando e nutrindo profundo ressentimento por Freddy Freeman, que viveu uma vida bem sucedida e relativamente pacífica com seu avô.

A origem de Sabbac foi descrita no especial Superman/Shazam! First Thunder (2005/06), escrita por Winick e desenhada por Joshua Middleton. Dr. Sivana, na esperança de encontrar uma forma de destruir o Capitão Marvel de uma vez por todas, induz o sumo-sacerdote do Templo de Bagdan a seqüestrar Timothy, quem eles descobrem ser um descendente da linhagem Bagdan e o herdeiro dos poderes demoníacos de Sabbac.

Durante um ritual satânico, Timothy é transformado pela primeira vez no demônio Sabbac e desafia o Super-Homem e o Capitão Marvel. Marvel derrota Sabbac enganando-o para fazê-lo pronunciar seu nome (fazendo com que o oponente reverta a seu alter-ego).

Pág. de Outsiders Vol.3 #10, por Tom Raney e Scott Hanna

Em Outsiders Vol.3 #8-10, o Capitão Marvel Jr. e a equipe de Outsiders enfrentam uma versão nova e selvagem de Sabbac. Este, dotado de poderes demoníacos amplificados e uma aparência de besta peluda com chifres em vez da forma original mais humanoide, é o alter ego de Ismael Gregor, um imigrante russo que se tornou um chefe da máfia de Nova York.

Gregor cobiçava o poder de Sabbac e fazia com que seus homens procurassem Timothy Karnes, que havia sido encarcerado e teve suas cordas vocais removidas. Gregor inicia um ritual demoníaco que, segundo ele, permitirá a Karnes acessar seu poder sem precisar falar. O ritual envolve o assassinato de todos os passageiros de um ônibus de Nova York. No final, Gregor mata Karnes e consegue o poder de Sabbac para si.

 

Pág. de World’s Finest Comics #264, por Don Newton e Dave Hunt (1980)

Monster Society of Evil (Sociedade de Monstros do Mal): Fundado pelo infame Sr. Cérebro, foi o primeiro grupo de super-vilões a reunir personagens que já haviam participado de outras histórias (como citado anteriormente, os grupos de vilões eram formados apenas para uma aventura específica, com personagens inéditos até então), tinha como objetivos a dominação mundial e a destruição do Capitão Marvel e seus aliados.

Criada por Otto Binder e C.C. Beck, fez sua primeira aparição oficial em Captain Marvel Adventures #26 (1943); embora tenha sido vista em Captain Marvel Adventures #22 (1943). Cronologicamente, a Monster Society of Evil surgiu quando o Sr. Cérebro veio pela primeira vez à Terra-2 (ah, a confusão Pré-Crise da DC Comics…), organizando seu primeiro time de malfeitores, incluindo Oom, Mister Who, Nyola, Ramulus e The Dummy. Todavia, isso foi apenas um prelúdio para uma das maiores equipes malignas já reunidas.

Mais adiante, no universo da Terra-S, ele reuniu sua Monster Society of Evil – formada por seres de muitos mundos, tais como: Goat-Man (que foi seu primeiro lacaio); Evil Eye, um monstro hipnótico; e os Homens-Crocodilo do planeta Punkus. Ele também contatou os líderes das potências do Eixo e prometeu ajudá-los a vencer a Segunda Guerra Mundial – após a qual ele pretendia governar o mundo através de Adolf Hitler, Benito Mussolini e os senhores da guerra japoneses. Além de asseclas interplanetários, ele também reuniu os maiores vilões da Terra, a exemplo do Capitão Nazista e Dr. Sivana.

Capa de The Power of Shazam! #39, por Krause e Giordano (1998)

Também fizeram parte de sua equipe Ibac, o AmaldiçoadoNippo de Nagasaki  (um mestre espadachim e especialista em artes marciais, não está claro se ele sobreviveu ou não à guerra; depois de sua batalha com a Família Marvel, ele pode ter voltado para sua cidade natal no momento em que a segunda bomba atômica foi atingida), Banjo (um criminoso que espionava segredos militares americanos para os nazistas, enviando os arquivos através de um código musical), e Jeepers (uma monstruosa criatura-morcego inteligente, e o último de sua raça).

Décadas mais tarde (quando a DC adquiriu os direitos de publicação de Marvel junto à Fawcett, nos anos 70), o Sr. Cérebro, despertando da hibernação provocada pelo suspendium de Dr. Sivana, reviveu o núcleo da Monster Society of Evil – incluindo Ibac, Dr. Sivana e a Família Sivana – porém, a Família Marvel deu novamente cabo de seus planos maléficos.

Finalmente, Mister Mind reuniu seu maior grupo de vilões, incluindo novamente Sivana e Ibac, além dos terríveis Mr. Atom, o robô atômico; Rei Kull, o Homem-Fera; Oggar, o Imortal mais poderoso da Terra e Adão Negro. Esta formação da equipe enfrentou a Família Marvel em várias ocasiões. Uma versão da Sociedade, atualizada por Jerry Ordway, apareceu em The Power of Shazam! #38-41 (1997/98).

Monster Society of Evil

Outras versões

O “Grande Queijo Vermelho” ganhou versões alternativas desde que foi incorporado ao UDC. A seguir, veremos algumas das mais relevantes:

Captain Thunder (Capitão Trovão) 1974

Capa de Superman #276, por Nick Cardy (1974)

Em Superman #276 (1974), o homem de aço entrou em conflito com “Captain Thunder”, um super-herói deslocado de outra Terra. Trovão tinha sido magicamente enganado por seus arqui-inimigos da Liga dos Monstros do Mal (um análogo de seu universo/dimensão para a famigerada Monster Society of Evil) e, assim, enfrenta o Super-Homem. O Capitão Trovão, cujo nome deriva do Capitão Marvel da Terra-S, tinha como alter-ego, o jovem “Willie Fawcett” (uma referência a editora das histórias originais do Capitão Marvel, Fawcett Comics) e uma palavra mágica (“Trovão!”), que era um acrônimo para sete entidades e seus respectivos poderes (assim como o original da Terra-S). Ele ativava seu poder ao esfregar a fivela mágica de seu cinto (com um símbolo de trovão gravado em sua superfície) dizendo “Thunder”. Seus poderes vieram de Tornado (poder), Hare (velocidade), Uncas (bravura), Nature (sabedoria), Diamond (tenacidade), Eagle (vôo) e Ram (tenacidade).

Na época de Superman #276, a DC já publicava os quadrinhos do Capitão Marvel havia dois anos, todavia, decidiu manter esse universo separado daqueles de suas outras revistas. O verdadeiro Capitão Marvel finalmente encontraria Super-Homem em Justice League of America #137, dois anos depois (embora Marvel houvesse conhecido Lex Luthor em Shazam! #15; 1974).

Captain Thunder 1983

Captain Thunder 1983

Em 1983, uma proposta para um Capitão Marvel atualizado foi submetida à DC por Roy Thomas, Don NewtonJerry Ordway. Esta versão do personagem seria um habitante do principal universo da DC (Terra-1), ao invés do da Terra-S, baseada nos quadrinhos da editora Fawcett. O novo Marvel seria uma versão afro-americana de Billy Batson chamada “Willie Fawcett” (como na história de 1974), que pronunciaria a palavra mágica “Shazam!” para se tornar o capitão Thunder, o mais poderoso mortal da Terra. Esta versão alternativa do personagem nunca foi usada.

Captain Thunder Flashpoint

Capitão Trovão e as crianças Shazam

A minissérie Flashpoint (2011), escrita por Geoff Johns com arte de Andy Kubert, apresentava uma linha de tempo alternativa criada acidentalmente pelo Flash, que ajudou os heróis dessa linha do tempo a restaurar a história. Um desses heróis é o Capitão Trovão – uma versão alternativa do Capitão Marvel que tem seis alter-egos, ao invés de um, e um rosto marcado como resultado de uma luta com a Mulher-Maravilha que, nesta linha do tempo, é uma vilã.

As seis crianças, coletivamente conhecidas como “S.H.A.Z.A.M.”, possuem, em separado, um dos seis atributos do poder de Shazam, e devem dizer a palavra mágica juntos para se tornar o Capitão Trovão. Eles são: um menino asiático-americano chamado Eugene Choi, que possui a sabedoria de Salomão; um rapaz latino-americano chamado Pedro Peña, que possui a força de Hércules; os caucasianos Mary Batson, Freddy Freeman e Billy Batson, que possuem a resistência de Atlas, o poder de Zeus e a coragem de Aquiles, respectivamente; e uma garota afro-americana chamada Darla Dudley, que possui a velocidade de Mercúrio. O tigre de estimação de Pedro, Tawny, também se transforma em uma versão mais poderosa de si mesmo através do relâmpago mágico.

As seis crianças mais tarde se transformam no Capitão Trovão para ajudar Flash e seus aliados a interromper a guerra entre o exército Atlante de Aquaman e as forças da Mulher-Maravilha. O Capitão luta brevemente com a Mulher-Maravilha antes de ser transformado de volta nas seis crianças por Encantadora, que se revela uma traidora. Antes de as crianças poderem invocar o Capitão Trovão novamente, Billy é morto por Penthesileia.

Após a conclusão da minissérie Flashpoint, as três novas crianças dessa da linha do tempo – Eugene, Pedro e Darla – foram incorporadas ao Universo DC, aparecendo como irmãos adotivos de Billy, Mary e Freddy.

The Dark Knight Strikes Again (O Cavaleiro das Trevas II; O Cavaleiro das Trevas Ataca Novamente)

O Capitão Marvel de O Cavaleiro das Trevas Ataca Novamente

No sombrio futuro alternativo mostrado em O Cavaleiro das Trevas II, o Capitão Marvel está visivelmente envelhecido, com cabelos brancos e óculos de grau. Lex Luthor havia capturado Mary Marvel, coagindo-o a trabalhar para ele sob pena de assassiná-la. Durante um ataque alienígena a Metropolis, Marvel está preso sob um edifício em colapso e, sem saída, admite que Billy Batson – aqui, claramente definido como uma pessoa separada de Marvel, ao invés de simplesmente seu alter-ego – faleceu anos antes por problemas de saúde não especificados na história. Como resultado, quando ele proferir sua palavra, ele deixará de existir, a exemplo qualquer sonho que não tenha mais ninguém para lembrar dele. Suas últimas palavras à Mulher-Maravilha são para dar a todos o seu melhor, notando que era bom existir, antes que ele evoque seu raio e destrua a si mesmo.

 

Elseworlds Superman: Distant Fires (Super-homem: A Última Chama, série Túnel do Tempo)

Pág. de Superman: A Última Chama, por Gil Kane

No futuro distópico narrado em Elseworlds Superman: Distant Fires (1998), onde a maioria da humanidade foi destruída em uma guerra nuclear, Billy Batson fica obcecado com a Mulher-Maravilha quando eles se tornam parte de uma pequena comunidade de sobreviventes do holocausto, na qual a maioria dos super-humanos sobreviventes perdeu seus poderes ou lida com habilidades alteradas.

Quando um Clark Kent (também privado de seus poderes kryptonianos) se junta à sua comunidade, o ressentimento de Batson por Super-Homem torna-se  loucura (Diana havia tido um breve relacionamento romântico com Billy e, após o retorno do antigo homem de aço, sua afeição volta-se a Kent), levando ambos a um embate com um desfecho fatídico.

 

Kingdom Come (Reino do Amanhã)

Pág. de Kingdom Come (Livro II), por Alex Ross

A graphic novel de 1996, Kingdom Come, escrita por Mark Waid e com a arte pintada por Alex Ross, retrata um possível futuro dos personagens da DC. Nesta versão, Billy Batson é um adulto que agora combina com a aparência de sua identidade de super-herói. A hostilidade humana em relação aos super seres deixou-o desconfortável e ele não se transformou no Capitão Marvel por vários anos. Batson tornou-se servo de Lex Luthor, que usa os descendentes de Mister Mind para mantê-lo sob controle e dobrá-lo à sua vontade. No entanto, o potencial de Batson como um ser poderoso o suficiente para rivalizar com o Super-Homem faz com que muitos outros reajam com medo e desconforto quando está entre eles, fazendo acreditarem ser um Capitão Marvel não-uniformizado servindo Luthor.

Os eventos finalmente fazem com que ele se transforme no Capitão Marvel, e o mesmo libera uma força capaz de destruir o mundo. Quando as autoridades tentam detê-lo soltando uma bomba nuclear, o Capitão Marvel – estimulado pelo Super-Homem dizendo que devido a seus laços com a humanidade e a comunidade sobre-humana, ele é o único capaz de fazer a escolha – aciona seu raio para sacrificar si mesmo e destruir a bomba enquanto ainda está no ar. A explosão nuclear ainda mata um grande número de heróis, mas arrefece as animosidades entre os sobreviventes. Super-Homem usa a capa de Marvel como o símbolo de uma nova ordem mundial em que os humanos e super-humanos agora viverão em harmonia.

Mazahs

Mazahs, da Terra-3

Mazahs é uma versão alternativa corrompida de Marvel, introduzida no evento Forever Evil (2013–14). Ele é o alter-ego super-poderoso de Alexander Luthor da Terra-3. Na história, o Sindicato do Crime (os análogos malignos da Liga da Justiça da Terra-1) trouxeram consigo Alexander Luthor, seu prisioneiro, para a Terra Primordial onde residem a Liga da Justiça e outros heróis. Lex Luthor (da Terra Primordial) e sua equipe infiltram-se na Torre de Vigia da Liga da Justiça, onde o Sindicato tem Alexandre como refém, e removem a fita adesiva sobre sua boca, permitindo a ele pronunciar a palavra mágica “Mazahs!” e se transformar em seu alter-ego extremamente poderoso.

Enquanto o Shazam do universo principal da DC é conhecido por compartilhar seus poderes com os outros, Mazahs mata outros super-heróis para absorver seus poderes, como quando ele assassina o velocista do Sindicato Johnny Quick. Na edição final da série, é revelado que a Super-Mulher (contraparte da Mulher-Maravilha nativa da Terra-3), tem um relacionamento com Alexander e enganou seus companheiros de equipe para trazê-lo com eles. Ela também revela estar grávida, profetizado para trazer um fim ao mundo. Explorando sua habilidade de usar os poderes daqueles que ele matou, Mazahs facilmente derrota tanto o Sindicato quanto a equipe de Luthor.

Uma maravilha além dos quadrinhos

Cartaz de Adventures of Captain Marvel (1941)

O estrondoso sucesso nas hqs levou o Capitão às telas. Em 1941, foi produzida a primeira adaptação live-action (filmada, com atores reais) do personagem, intitulada Adventures of Captain Marvel, estrelada por Tom Tyler (Ago/1903-Mai/1954) no papel-título e Frank Coghlan Jr. (Mar/1916-Set/2009) como Billy Batson. A produção consistiu numa série de 12 filmes confeccionados pela Republic Pictures, tornando-o o primeiro super-herói a ser retratado no cinema. As Aventuras do Capitão Marvel (na qual as técnicas de efeitos de homem-em-voo foram originalmente desenvolvidas para uma série de filmes do Super-Homem que a República nunca produziu), antecederam os desenhos animados do Super-Homem da Fleischer Studios por seis meses.

Em 1950, a Columbia Pictures lançou a comédia/mistério The Good Humor Man com Jack Carson (Out/1910-Jan/1963), Lola Albright (Jul/1924-Mar/2017) e George Reeves (Jan/1914-Jun/1959). O enredo tem Carson como um vendedor de sorvetes que também pertence a um Clube do Capitão Marvel com algumas das crianças na vizinhança. A Fawcett lançou um one-shot no mesmo ano em que o filme apareceu, Captain Marvel and The Good Humor Man.

Tom Tyler

Por volta de 1943, uma série de rádio do Capitão Marvel foi transmitida (possivelmente pela Mutual ou pela NBC) tendo, no início, Burt Boyar (Nov/1927-Abr/2018) como Billy Batson. De acordo com as (fracas) lembranças de Boyar em uma entrevista de 2011, o show foi inicialmente produzido em Nova York e, após cerca de um mês, se mudou para Chicago; nenhum outro detalhe sobre o show ou transcrições dele sobreviveu. A existência do programa foi confirmada pelo historiador Jim Harmon (Abr/1933-Fev/2010) através de recordações de antigos fãs de rádio que lembraram ter ouvido as transmissões originais, além de localizar as listagens de programas do período.

Jackson Bostwick como Capitão Marvel

O Capitão Marvel chegou pela primeira vez à televisão em 1974. A Filmation produziu Shazam!, um seriado live-action, veiculado de 1974 a 1977 pela rede de TV norte-americana CBS. De 1975 até o final de sua execução, foi ao ar na primeira metade da Shazam!/Isis Hour, apresentando, na segunda parte, The Secrets of Isis, criada/produzida pela própria Filmation.

Em vez de basear-se naquilo já estabelecido nos quadrinhos, o programa de TV adotou uma abordagem diferente do personagem: Billy Batson/Capitão Marvel, acompanhado por um homem mais velho conhecido simplesmente como Mentor (Les Tremayne), viajava em um trailer através dos Estados Unidos, interagindo com pessoas em diferentes cidades nas quais eles pararam salvar os cidadãos de alguma espécie de ameaça ou ajudá-los a combater alguma forma de mal. Com o mago Shazam ausente desta série, Billy recebeu seus poderes e conselhos diretamente dos seis “anciãos imortais” representados no nome “Shazam”, que foram retratados via animação: Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio. Shazam! tinha Michael Gray como Billy Batson, com Jackson Bostwick (1ª temporada) e John Davey (2ª e 3ª temporadas) no papel do Capitão Marvel. Uma versão adaptada de Isis, a heroína de The Secrets of Isis, foi introduzida na DC Comics em 2006 como esposa de Black Adam na série de quadrinhos semanal DC 52.

Abertura de Shazam!, o desenho animado:

Joanna Cameron como Isis

A Filmation revisitou o personagem três anos após o encerramento do programa live-action na série animada Shazam!, transmitido pela rede NBC de 1981 a 1982 como parte da Kid Super Power Hour com Shazam! acompanhado por Hero High. Capitão Marvel e Billy Batson foram ambos dublados por Burr Middleton. O resto da Família Marvel se juntou ao herói em suas aventuras nesta série, mais semelhantes às narrativas dos quadrinhos que o programa de TV dos anos 1970. Dr. Sivana, o Sr. Cérebro, Adão Negro e outros conhecidos inimigos do Capitão Marvel também participam do show.

A primeira aparição oficial do Capitão Marvel numa produção do DCAU ocorreu no episódio “Clash” (2005) da série animada Justice League Unlimited. Na trama, o Capitão Marvel se junta à Liga da Justiça, mas suas opiniões positivas sobre a aparente reforma do supervilão Lex Luthor criam um grande problema em seu relacionamento com o Super-Homem. Explorando essa tensão como só ele poderia, Luthor eventualmente leva ambos a uma batalha de proporções catastróficas.

O Capitão Marvel fez sete aparições em Batman: The Brave and The Bold (2010-13). Dois episódios da segunda temporada dessa série animada são dedicados ao Capitão, seus aliados e galeria de vilões. “The Power of Shazam!” contou com o Capitão Marvel/Billy Batson, a Família Sivana, Adão Negro, o mago Shazam, Tia Minerva e Mary Batson, enquanto “The Malicious Mr. Mind” apresentava a Família Marvel (Mary Marvel e Capitão Marvel, Jr.), Sivana, Mr. Mind e sua clássica Monster Society of Evil. Também foi/é um personagem recorrente em Young Justice (2011-13) e Justice League Action (2016-).

Capitão Marvel vs. Adão Negro, Batman: The Brave and The Bold

Capa de DC SHOWCASE: Superman/Shazam!

Participa, também, do longa de animação, “Superman/Batman: Public Enemies” (“Super-Homem e Batman: Inimigos Públicos”, 2009), baseado no primeiro arco da história da série de quadrinhos “Superman/Batman”. Na trama, o combate entre Capitão Marvel e Super-Homem quando o presidente dos Estados Unidos, Lex Luthor, ordena a todos os heróis para capturar o homem de aço por um suposto “assassinato” cometido por ele. O Capitão Marvel está entre os heróis enviados para trazer o Super-Homem à “justiça”.

É o protagonista do curta de animação da série DC Showcase (uma das melhores representações do “Grande Queijo Vermelho”) “Superman/Shazam: The Return of Black Adam” (2010), a origem do herói e como o jovem Billy Batson recebe os poderes do mago Shazam é recontada, com a participação do último filho de krypton. Na sequencia, Adão Negro retorna à Terra após um exílio de 5000 anos no espaço, sedento por vingança e pronto para obliterar o mais novo campeão de seu maior inimigo. Na batalha subsequente, Batson deve fazer a escolha que moldará seu destino para sempre. Fez aparições em Justice League: The Flashpoint Paradox (2013), como Captain Thunder; Justice League: War (2014) e Justice League: Throne of Atlantis (2015).

Cartaz (teaser) do filme Shazam!

Com data de lançamento anunciada pela Warner Bros. para 2019, Shazam! será a sétima produção do DC Extended Universe (DCEU). O filme é dirigido por David F. Sandberg, a partir do roteiro de Henry Gayden, foi baseado numa história de Gayden e Darren Lemke. A película, estrelada por Asher Angel como Billy Batson, Zachary Levi, no papel do herói/título, também conta com Mark Strong, Jack Dylan Grazer, Grace Fulton, Ian Chen, Jovan Armand Faithe Herman como personagens de apoio e Djimon Hounsou no papel do mago Shazam (a versão corrente na reformulação Novos 52). Uma curiosidade interessante é esta ser a primeira versão cinematográfica do personagem desde a série de 1941.

A trama acompanha Billy Batson, um órfão problemático de 14 anos que mora na Filadélfia, em sua preparação à mudança para um novo lar adotivo – o sétimo consecutivo – com a família Vazquez e seus outros cinco filhos (também adotados). Um dia, Billy entra num vagão do metrô e se vê transportado para um reino diferente, onde um bruxo antigo lhe dá o poder de se transformar em um super-herói adulto com poderes divinos, ao pronunciar a palavra “Shazam!” Billy e seu novo irmão adotivo, Freddy Freeman, devem aprender quais são os novos poderes do jovem e como usá-los para impedir o vilão Dr. Thaddeus Sivana (não poderia, de forma alguma, ser outro) de por em andamento seus planos de dominação mundial.

Trailer Teaser de Shazam! (Warner Bros., 2019):

A transforção do jovem Billy Batson no Capitão Marvel

Conheci o personagem na infância, através da animação Shazam! e, posteriormente, da série live-action. Quando garoto (devia ter uns cinco ou seis anos na época), não conseguia processar as diferenças (gritantes) entre o desenho e o programa com atores de carne e osso. A confusão aumentou mais ainda quando tive acesso às hqs do herói (risos), pois tudo divergia. Foi quando, finalmente, saquei o conceito de terras paralelas do UDC e pude dormir melhor (mais risos).

Um episódio engraçado foi, lá pelos meus oito anos, a vez na qual decidi testar o raio mágico e ver se conseguiria adquirir (a exemplo de Billy Batson), os poderes do mago Shazam: num dia de chuva torrencial, daquelas com trovões e relâmpagos, resolvi ir ao quintal de casa e gritar SHAZAM!!!!! a plenos pulmões (crianças, por mais tentador que seja, jamais pensem em fazer isso). Isso me rendeu três coisas: uma bela gripe, fiquei sem voz por dois dias e uma surra. Naqueles dias, minha mãe manejava uma havaiana melhor do que Thor faz com seu Mjolnir ao enfrentar os Gigantes de Jotunheim.

O que aprendi com a experiência? Certas coisas são inerentes ao reino da ficção e, por mais que o mundo real seja um lugar terrivelmente chato, um reino onde o mal sempre encontra um jeito de vencer; quando as coisas se complicam e parece não haver solução pra vida, sempre podemos ir ao universo no qual uma criança de bom coração e uma palavra mágica são capazes de mudar tudo; são capazes de trazer esperança e tornar o mundo um lugar melhor. Ao retornar dessa viagem, os problemas da existência não parecem mais tão terríveis quanto as maquinações de um certo Dr. Sivana ou uma batalha contra o Sr. Cérebro e sua Monster Society of Evil… Não mesmo.

Abertura e encerramento da 1ª Temporada de Shazam!:

Adão Negro, por Alex Ross

Créditos:

Vídeos: “SHAZAM Introduction” (Filmation, 1981. Produzido por: Norm Prescott e Lou Scheimer);

“Shazam Season 1 Opening and Closing Credits theme Song” (Steven Brandt YouTube Channel, 2017);

Trailer Teaser de “Shazam!” (Warner Bros., 2018).

Trilha sonora: “Heroes” composta por David Bowie e Brian Eno, parte do álbum Heroes (1977).

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